quinta-feira, julho 31, 2008

marioneta dos sentidos

photo: nós, os emparedados_heliz

até aos confins
vagueei para te esquecer
procurei perder as tuas recordações…
mas elas perseguem-me, torturam-me.
até ao fim do mundo…
deambulei…
vazio de pensamentos
cheio de pressentimentos
espelho de sentimentos
........................................................– no meu olhar
procurei perder-me de ti
procurei perder o que sinto…
mas continuas sempre aqui tão presente
neste sentimento que me atormenta
nesta fonte de inquietação…
tentei fugir destas amarras que me sugam a vida
tentei arrancar-te do meu corpo…
não consegui!
os meus passos pressentem os teus
neste e em qualquer momento
entre os confins do presente
essa linha ténue
que separa o passado do futuro

Bruno Ribeiro
PMS. 23.Junho.008

segunda-feira, julho 28, 2008

sem saber, aguardo-te!

photo: não sei de que é que estou à espera..._mariah

espero,
e não espero
que se dissolva
esta espera,
que não me trás
qualquer vislumbre,
de ti!

aguardo
num qualquer lugar
perdido, que estou
enquanto espero,
sem me esperar
convencido
que te veria
neste mesmo lugar!

embriagado
pelo nevoeiro
que me persegue
invisível,
fico sem saber que estou
nesta espera…
aguardando por ti
sem me esperar
sorrindo!
entre sombras
de desespero
que estou…
sem saber.

Bruno Ribeiro
PMS. 23.Junho.008

sexta-feira, julho 25, 2008

espectro nocturno

photo: old vilnius_martis

neste espectro do passado
todas as histórias que me parecem contadas
parecem-me histórias de qualquer coisa
em que a verdade deambula ente as nuvens
e das maiores mentiras tu estás lá
presente como a luz e a sombra
presente como o sol e a lua…
sempre presente…
com tantos mistérios
que me fazem sentir desesperado
perdido entre as mentiras que me contas
e as verdades do que sinto…

neste espectro do presente…
todas as histórias que me lembro contadas.
são histórias de qualquer coisa
em que a verdade é tão ténue
como a brisa no meio de uma tempestade
que deambula entre as bolas de sabão
e das maiores mentiras…
tu estás lá…
sem qualquer culpa do que sinto.
sem qualquer culpa desta lágrima esculpida
que me segue e persegue
neste espectro passado
em que as histórias são vãs…

a verdade…
é que continuas no meio da história
dos meus sentimentos
dos meus pensamentos…
da minha saudade
e da minha vontade…
no seio do que tento esquecer
guardado no nenhures perdido
em que me tento perder… de ti!

bruno ribeiro
pms. 23.junho.008

terça-feira, julho 22, 2008

deslizo entre as tábuas do meu sentir

photo: abandoned, chair 1_garnoo

deslizei para um condomínio de pó
em que a tinta se transformou em teia de aranha
e a madeira… pequenos passos do tempo esquecido
de náufragas intempéries do meu ser.
lágrimas dos restícios sentimentos
supostamente de tempos idos
supostamente esquecidos…

deslizei por uma cadeira perdida.
numa qualquer sala das recordações
guardadas num qualquer lugar…
perdida entre escombros do meu ser
que está neste meu sentir
supostamente já guardado algures no tempo
supostamente perdido nesse algures…

deslizei entre as sombras
varridas pelo vento que já não sinto
trazer a tua voz, espalhar o teu perfume.
perdidas entre a minha sombra,
vagueando nesta sala
em que me encontro sem janelas
supostamente deixada para trás
supostamente esquecida…

deixo-me ir,
sentado nesta cadeira vazia
do vago pesar que me cobre
entre os olhares distantes em que te procuro
e estes que deito sobre meus pés
supostamente a caminhar algures
supostamente longe deste lugar!


Bruno Ribeiro
PMS, 23.Junho.008

sábado, julho 19, 2008

beijo frutado

photo: são tantos os silêncios da fala..._mariah

partilho pelo teu corpo
o olhar que te despe
no silêncio das mãos
que te percorrem
e dançam pelas tuas curvas
entre versos de desejo
melodia de um beijo
que te atravessa
nesta paixão louca
em que transborda
pelo meu corpo…

segue esse trilho traçado
pela fruta da paixão
que beija
a pele despida
que te espera
neste corpo deitado!

Bruno Ribeiro
LX. Junho.008

quarta-feira, julho 16, 2008

até já

photo: gaia-I_fernando figueiredo

quão doce é esse teu olhar
que me branda num sossego
o sentir indescritível
dessa paz que me atravessa
e percorre
no âmago do teu beijar

quão terno esse olhar
que me perscruta
a alma jazida
entre os lençóis do nosso leito
que me atravessa
e escuta
as palavras do meu sentir

não deixo
que o sol se levante
e a manhã se ponha
sem te deixar um sorriso
mais que o meu próprio
olhar sorridente
de te ver e ter
ali tão perto
rabiscos deste nosso beijar
que se estende noite fora

vago.
na vontade de te olhar uma vez mais
antes de saíres dessa porta
que separa os nossos tempos
distantes que estão
até a um novo anoitecer
que a nós pertence

até já!

Bruno Ribeiro
PMS. 29.Junho.008

segunda-feira, julho 14, 2008

ser o que sou!

photo: el olvido_heliz

sou um suspiro,
segundos passados nasço no esquecimento;
sou um murmurar
de palavras surdas
que assim prolonga o silêncio;
sou uma brisa que luta contra uma tempestade,
sem forças, sem ar, sufocado...
sou uma lágrima,
que pinga num rio turbulento,
sou um eco,
de um sentimento destroçado;
sou uma pétala,
de uma flor negra, negra como o sombrio da alma;
sou a palavra esquecida,
sou a chama que já não arde,
sou o sol que já não brilha,
sou um ser perdido no espaço e no tempo,
sou a vitrina da tristeza tornada humana.

Bruno Ribeiro
Coimbra, Dezembro 2000

sábado, julho 12, 2008

deixando-me levar...

photo: oriana_heliz

embrenho-me nos ventos do norte,
sou pétala, sou folha de outono,
deixo-me ir para onde o vento me levar...
já não há vida no meu coração
e a alma transformou-se em pedra.
levantei a taça de vencido
e fiz jus o vencedor...
nos meus olhos,
nascem vagas de negras lágrimas,
e a sombra da lua e do sol
espelha-se sobre mim.
sei que aqui e ali não sou feliz,
por isso parto para a aventura...
entrego-me ao mundo,
como o cordeiro se entrega ao lobo,
levo a guitarra sem cordas nas costas,
papel rasurado e uma caneta virgem,
levo o meu corpo
embebido em sangue, suor e lágrimas,
cavo sementes de poesia
e desatino a dor que me acompanha.
ergo a fronteira da vida e da morte,
sou condenado no tribunal do sofrimento,
onde o diabo é o meu advogado,
onde os seus discípulos riem
pela pena em mim imposta,
penitenciado, acusado e torturado,
ficam com o que resta de belo,
com actos impunes, eles vencem... uma vez mais.
continuo a viagem a que me submeti,
caminho descalço pelo tapete em brasas,
pelo passeio de espinhos...
mas, não é esta a dor que me tortura...
peço para serem clementes
e porem um ponto final...


mas algo surge no horizonte,
uma borboleta, uma flor, um anjo,
que me diz, sem eu merecer,
para acreditar em mim...
fico estatelado e tento perceber
porque me diz, o que me diz e quem é...
interrogo-me se será mais um truque
do meu querido advogado,
mas não... não sei... parece ser amiga...
dispo a minha nudez,
aperto a minha guitarra, pronta a tocar (sem cordas)
levanto a caneta, estendo o papel
e tento fazer algo... uma canção...
assim me iludo... me perco...
nas pétalas do condenado, nas amarras do inocente
e sigo sem saber por onde andar...



serás tu meu anjo que me irás encaminhar?



Bruno Ribeiro
Março/00

quinta-feira, julho 10, 2008

o vento

photo: o entendimento das almas_heliz

escrevo nas folhas das árvores
a minha poesia.
proíbo o meu esquecimento
e obrigo a lembrança
dos meus feitos, das conquistas,
enaltecidas aos apóstolos do vento
e às sereias do mar,
aos diabos do céu
e aos anjos do inferno.
cravo uma harpa no coração
e uma faca nas veias,
para o meu sangue correr nos rios,
beijar as lagoas e passear nos oceanos.
quero ser o mel das afeições
e o brilho das relíquias
que se espalham no sal do teu rosto.

eu sou o comandante dos céus
e o varredor das ruas,
eu sou aquele que sentes e não vês,
quem te beija sem proferires palavra,
aquele que te arrepia e acaricia.
eu sou a destruição e o amor,
a verdade e a traição
e não pertenço a ninguém...
senão à minha paixão, ao meu amor...

tu podes saber quem sou,
mas, nunca saberás o que sou.



Bruno Ribeiro
2000

sábado, julho 05, 2008

rostos de pedra

photo: a vida é só a vida_heliz

este é o meu rosto…
desenhado com rugas de devaneio
olhares escondidos…
este é o meu olhar…
pintado em degradé de cinzas
rosto perdido…

desde o dia em que te vi partir!

este é o meu trilho
traçado por uma lágrima perdida
por onde os meus pés me carregam…
este é o meu viver…
e porque o deixa em sarilho
sem uma qualquer saída.

desde o dia em que me dei conta que partiste!

e porque não desembarco deste sentimento?
que não tem qualquer razão de ser
e porque sempre que dou um passo em frente
me fazes dar mil e um de retroceder

este é o meu rosto…
pálido e petrificado
sem qualquer aspiração a sorriso
cansado de ser lavado a sal

liberta-me destas amarras…

frio,
sinto frio…
o sol não me aquece
e, tenho frio…
guardo aquilo que deveria esquecer

e acredita que quero esquecer,
mas não consigo…
............................................ [tens nas tuas mãos parte de mim]

Bruno Ribeiro

Lx. 17.Out.007

quinta-feira, julho 03, 2008

ser

photo: why can´t i be you_avalon

neblina do ser que ansiava
outrora, do que fui e seria
ser, por quem ser
o que desejava ser e ter.
tendo, nas mãos (vazias) abertas
um rasto do perfume
que um dia tive…
não penso como seria
se tivesse continuado a ser…
apenas sinto nas margens da solidão
as paredes emancipadas
da inquietude do meu ser
que, não sabe ser,
o que agora sou… vazio!

cortina ténue do invisível ser
que ao teu olhar não sou
o ser que desejaria ser.
tendo, nas mãos (vazias) abertas
o ser que vagueia
entre a brisa perfumada
do ser e ter, o sorriso inconsciente
da necessidade de ser o que fui!
mas não penso nesse ser passado,
apenas sinto nas margens da solidão
os ponteiros vagos da penumbra
escuridão de qualquer ser
que desejasse ser outro ser e ter.
e não este ser
que agora sou – vazio da solidão!

e não penso em qualquer outro ser
que não este que sou,
e descobri nas mãos abertas e não vazias
que serei sempre aquilo que sou
e que o tempo me fizer ser
e o que quiser ser,
lutando pelo que serei
enquanto sou quem sou!

e nessas margens das recordações
fui pedaços do que sou
sem vergonha, sorrindo!
e contigo ou sem ti, serei quem sou!

Bruno Ribeiro
30.Abril.008

terça-feira, julho 01, 2008

de regresso

photo: unknown_ra

perdido,
entre mares e mitos
entre ventos de piratas
e areias que escondem segredos…

ausente,
temporariamente deste mundo
em que os versos bêbedos
de dores traídas
vasculhadas no mar do meu ser!

palavras esquecidas,
guardadas e não visitadas
relembradas
no silêncio nocturno
crepúsculo da tua ausência
amanhecer do meu olhar tristonho…

agora vivo,
mais do que sobrevivo
e gozo o momento
em que te situas no esquecimento
ausente, entre segundos temporários…

Bruno Ribeiro
Punta Cana – Lx. 1Abril.008

quarta-feira, junho 25, 2008

ainda dói…

photo: em que espelho ficou perdida a minha face_mariah


preciso do teu olhar
para repousar o meu…


perco-me nas palavras que te quero dizer
sem saber quais são
vislumbro o silêncio das mesmas,
sem as poder dizer,
pois a tua presença não está junto da minha!
apenas o vazio de estar com a sombra
somente a imaginação de te olhar
nas lembranças,
que teimosamente teimo
em não conseguir esquecer
bem tento!

mas no silêncio…
é a tua voz que ouço..
estás longe, nem sei quanto
mas na dor estás tão próxima.
és a dor que me faz chorar
e que eu não consigo apagar!

dor…
porque o que sinto
é grande e dói!

Bruno Ribeiro
Lx. 6.Outubro.007

domingo, junho 22, 2008

tango

photo: unknown

em resposta a um desafio lançado... pela Naela

tango – visto por ela!

[ nesta pauta
em que enquadro
desenhos do teu ser
balada do meu viver,
guardo recortes
lembranças na seda
que cobre o teu beijar
na fogueira da paixão!
]

percorro o teu olhar selvagem
e da tua mão
surge o convite
da dança da paixão
através de uma rosa vermelha
cor dos lábios que te anseiam
chama ardente que me brota!
tornamos nosso aquele palco
entre passos que nos afastam
outros tantos que nos aproximam…
cravo as unhas nas tuas costas
enquanto enrolo a perna à tua perna
olhas para mim,
violentando-me a alma
estremecendo meu peito…
gestos firmes, os teus
que me dominam
nesta tela da paixão
em que olhares estranhos
perscrutam a arena tomada nossa!
rasgo a tua camisa
espalhando no chão
fragmentos do teu corpo…
com o desprezo que finjo ter!
olhares felinos de desejo…
colados…
aproximas os teus lábios dos meus
entre rodopios que me fazes tomar
vagueias a tua mão
na pele que te anseia
e antes do beijo que tanto espero
atiras-me ao chão
de seios despidos
a música termina
viras-te de costas
e atiras-me a rosa vermelha!

espero pelo próximo passo
sem olhares indiscretos...




tango – visto por ele!

[ nesta pauta
em que enquadro
desenhos do teu ser
balada do meu viver,
guardo recortes
lembranças na seda
que cobre o teu beijar
na fogueira da paixão!
]

estendo da mão
uma rosa vermelha
cor do sangue que fervilha
deste coração que te ama
convido-te para dançar
e num gesto consentes
que me aguardas…
esboçamos no chão
os passos que nos desnudam
entre olhares de sedução
percorro pelas tuas costas
a minha mão que te procura
e num gesto firme
deitas-te sobre o meu braço
revelando que me confias
o desejo do teu corpo.
neste serpentear de emoções
em que a pista de dança
se torna nossa,
olhares desconhecidos e ansiosos
revelam-se imóveis…
perante nós!
o teu vestido justo
rasga-se perante o meu olhar
mostrando pequenas telas
da tua pele que me chama!
e antes que a música termine
entre o despontar do desejo
rodopio-te… perante mim
vagueio o teu corpo com a mão
aproximo os meus lábios dos teus
e atiro-te para o chão…
olhas para mim desejando-me
a música termina
eu viro-me de costas
atirando-te a rosa vermelha…

espero pelo próximo passo
sem olhares indiscretos…





Bruno Ribeiro
Lx. 11/13.Maio.08

quinta-feira, junho 19, 2008

o mundo pára

photo: unknown [oferecida por alguém especial]


quando sorris, o mundo pára
grinaldas de cor
que explodem
como um fogo de artifício
de pétalas…

quando me olhas dessa forma
deliro, perco-me no teu olhar
vivo cada nanossegundo
intensamente,
e não há outra maneira…

quando me beijas
sinto o coração enlouquecido
dançando, pulando pelo corpo
vibrando a cada instante
o mundo pára…

e sem jeito
neste gesto mimado
de te querer olhar,
ver-te sorrir
intensamente beijar
entrego-me a ti!

Bruno Ribeiro
Lx. 8.Abril.008

segunda-feira, junho 16, 2008

deitado, num chão de pedra!

photo: sem nome_nuno bernardo

olhar, pousado no chão frio
ausente, perdido distante,
penetrante no pensar, olhar vazio…
cabeça pesada, vislumbre de lágrima
que desce inquietante,
deste lacrimejar da caneta nesta página
enevoada, como o pesar
de uma brisa velha de nanquim
que me teima em acompanhar!

neste chão frio e húmido
desatino que vem a mim
corpo deambulante, estendido…

olhar,
pousado neste chão frio…
perdido… o meu olhar…
vazio…

Bruno Ribeiro
Lx. 8.Out.007

sexta-feira, junho 13, 2008

serei sombra de mim mesmo?

photo: schhhhh... não digas nada_heliz


‘retrato
pintado na penumbra
de olhares que teimam
em não se cruzar.

‘tacto
gesto que se estende na sombra
destes lábios que me beijam
fugaz o teu olhar…

a tua mão no meu peito
o teu olhar que penetra o meu
chamando-me…
desejando-me…

as minhas mãos na tua cintura
o meu olhar que banha o teu
chamando-te…
desejando-te…

serão apenas sombras nos meus sonhos?

estas que vagueiam na parede
pintadas por velas apaixonadas
que dançam e serpenteiam
o nu dos nossos corpos!

estas que dilaceram
o silêncio da noite
entre respirares profundos
da chama dos nossos lábios…


seremos apenas boatos?

estes que revelam
as tuas unhas na minha carne
a minha língua na tua boca
as minhas mãos no teu corpo.

estes que não distinguem
se são dois corpos que se amam
ou apenas um que se fundiu
nesta tela carnal…

Bruno Ribeiro
Lx. 6.Abril.008

segunda-feira, junho 09, 2008

passeio da vida

photo: sleepless_alba luna

uma bengala que marcha
rosto vivido e alegre
uma mão dada de carinho
cabelos grisalhos, negros do tempo
ternura em cada olhar
passos mais repousados
de quem já nada espera
apenas aprendeu a viver…

um sorriso em cada gesto
um abraço sentido
um beijo de respeito
amor presente, quadro da vida
de quem por tudo passou
amizade, respeito, compreensão
tolerância em cada palavra
de quem já nada espera
apenas aprendeu a viver…

só espero um dia viver estas palavras
de mão dada à tua mão
sorriso em cada gesto
brilho no olhar de amor
de quem por tudo passou…

até lá,
vive comigo como se cada dia fosse o último
de quem tudo quer dar
amor por viver, amor sentido
paixão permanente
sorriso em cada gesto
olhar ternurento…

Bruno Ribeiro
PMS. 2.Março.007

sexta-feira, junho 06, 2008

vagueando no teu corpo

photo: drowned world_avalon


nu,
deambulo por aqui e ali
nas ruas puras do teu corpo
perfumado,
vagueio por entre os dedos da tua mão
saboreando-os, desenhando-os
moldando-os com os meus
ao ritmo das velas
esboçamos o trilho do prazer
no corpo de cada um…

nu,
deambulo pelos desejos da paixão
olhando para cada pétala
do teu corpo que desfloro
através dos meus lábios…
o teu pescoço…
os teus seios…
a tua barriga…
as tuas ancas…
as tuas pernas…

mergulho na vontade de te dar prazer
e o teu olhar revela
a tua vontade de me tocar…
e amamo-nos, apaixonamo-nos…
mil vezes em cada mil olhares…

Bruno Ribeiro
Abril.008

terça-feira, junho 03, 2008

remando entre versos

photo: there's a place where we belong_heliz

remo,
entre versos nostálgicos
sombras… fantasmas… pesadelos…
histórias de vagas de sal
entre passos desconcertantes
que desesperam entre gestos
esquecidos…
pelo tempo… templo de olhares,
melodias intemporais
resvalam entre as minhas veias
como lágrimas de sangue,
que pincelam neste quadro – meu ser
uma ilusória lanterna de salvaguarda…
desespero… desespero…
cravado nas pedras da parede com o meu sangue
rastejando entre o suor das palavras.
vagas. sentidas. doridas
criadas no âmago do meu viver
perdido que estou,
entre as linhas que me penteiam as mãos
pesam tanto os meus olhos…
destas lágrimas gélidas
que brotam em avalanchas…
sufocando-me…
engasgando-me… no silêncio da noite
entre murmúrios que desconheço
murmúrios meus…
acordes que me despedaçam…
flagelam o meu mais remoto sentir
e o som de mais uma entre tantas
lágrimas caídas a meus pés.
letras soltas neste temporal dos sentidos
que esvoaçam em desdém
de mim próprio!

photo: no final da tarde eu amo a tarde_heliz

desespero…
varre em mim a cólera destes versos
que me espelham numa mancha negra
rabiscos soltos de qualquer coisa
que desconheço
rabiscos de mim…
vagueio… porque não sei para onde ir…
tudo me parece cheio…
tudo me parece vazio…
perco-me nos ponteiros,
por detrás de uns óculos escuros
para que não me leiam…
deliro, entre movimentos soltos
danças de um estar onde não sei onde estou
desespero.. este meu andar
por entre os ponteiros que pautam
o afastar…

assim remo…
… remo entre versos nostálgicos
remo para onde não quero estar
fugindo de onde não quero ficar…
sem destino…
apenas remo…
folha de papel deixada para trás…

ai. que desatino este desespero!

bruno ribeiro
lx. 11.maio.008

domingo, junho 01, 2008

hola!

photo: figure red_Ilya Rashap

hola chica

os teus olhos hipnotizaram os meus
e o teu olhar vasculha-me…

lá longe, quando te vi,
já a tua silhueta se destacava
por entre a multidão desconhecida…

chica

tão bonita…

segredo-te as palavras doces
em que me resguardo
por te desejar mais do que mil desejos…

temporal do meu ser!
que se espelha neste mar azul
de um azul profundo cristalino
como a profundidade do que sinto
e a transparência do meu olhar
em que escondo,
a magnitude que me varre ao teu ver!

Bruno Ribeiro
Punta Cana, 29.Março.008

terça-feira, maio 27, 2008

um café à beira-tejo…

photo: shy moon..._heliz


o repousar do sol já se deu…
e os meus olhos repousam no rio,
enquanto os barcos navegam ao sabor do vento!


na minha frente, uma cadeira vazia,
à espera da chegada de alguém, não sei quem,
mergulho na calma ali procurada,
por, ainda, a solidão me fazer companhia.

um vulto apodera-se dessa cadeira
comigo levantado e um par de beijos.

a conversa apodera-se das horas
as horas jazem com sorrisos nascidos
os olhares trocam-se perante o rio!

um violino longínquo que se aproxima,
som meloso que penetra na noite
cada vez mais perto!
um desconhecido surge com rosas
um sorriso do luar que prateia o rio.
e por vezes o silêncio para o escutar…

surge do nada um violoncelo
música do nenhures ali presente!
nós, ali presentes…
um pequeno concerto só para nós!
som altivo que nos enche o espírito

passeio junto ao rio até ao mar…
e as horas passam sem passar…
ancoramos na praia junto a uma fogueira
enquanto conversamos ao luar….

banho de sal…
banho de areia….
desejos com desejos…
sonhos com sonhos…
olhares com olhares…
sorriso com sorrisos…
corpos com corpos…

e quando o sol nasce
os nossos corpos repousam juntos
colados com o fulgor da paixão…

onde as nossas mãos passearam…
corre a água de um banho…
e por onde corre a água…
correm as nossas mãos…

banho de sedução…
sons que indagam os nossos seres
corpos colados tornados um só,
corpos molhados,
pintados pelas mãos…

chocolate a derreter no corpo,
sabor doce…
desenhos, rabiscos de prazer…
sabor doce o dos nossos corpos…
e passamos o dia enrolados na paixão
a dançar pelo chão,
pela cama, pelo chuveiro…
e paramos a olhar um para o outro
como na noite na praia
até que a lareira se apagou
e o nosso olhar adormeceu…

e acordo só na minha cama!

Bruno Ribeiro
Lx. 8.Fev.007

domingo, maio 25, 2008

seduzindo em segredo

photo: unknown


a minha voz ao teu ouvido…
em forma de sussurro
com contornos de segredo!


quando olhares nos meus olhos
diz o que desejas
o que sentes…
revela o teu coração!

quando pegares nas minhas mãos
leva-as para onde anseias
o que desejas…
revela a tua paixão

o meu olhar no teu olhar…
em forma de desejo
com contornos de sedução


quando escutares ao teu ouvido
dizendo o que desejo
o que sinto…
revelo o meu coração!

quando pegar nas tuas mãos
deixa-as revelar o teu corpo
deixa-as moldar as tuas formas
o que anseio, o que desejo… minha paixão!

Bruno Ribeiro
Lx. 7.Abril.008

sexta-feira, maio 23, 2008

acordes de desilusão

photo: st_Hernâni Faustino


junto à minha companhia – solidão!
esboço uns acordes que não sei tocar,
som triste no silêncio da noite…
derramo palavras de melodia que conheço,
cai uma lágrima… gela no olhar,
derrete no coração… seca no vazio…

na guitarra sem cordas,
ecoa sons surdos, melodias do passado
e agora presente melancólico.
agarro no violino…
e sinto-me morrer a cada anoitecer…
som que entranha de suavidade,
no meu olhar… murmúrio surdo.
descalabro em cada nova lágrima!
é tempo de parar de chorar…
e tocar no silêncio da noite
as mesmas músicas…
… mas enfrentando tudo o que sinto!
e pintar naquele quadro negro
um traço branco…
pincelada de esperança!


esperança de dias melhores.

Bruno Ribeiro
Lx. 1.Fev.007

quarta-feira, maio 21, 2008

relógio de cuco

photo: If I could rule the time_bloo

tic-tac
compasso da minha espera
melodia de um relógio de cuco
que teima em dançar
enquanto não chegas

tic-tac
o badalar na cabeça
da imagem do teu ser
que se aproxima de mim
mas que ainda não vejo

tic-tac
cai longe uma estrela
enquanto aguardo pelo teu beijo
aquele prometido…
e penso nele enquanto espero

tic-tac
e mais um salto do cuco
vindo à janela sorrindo
gozando comigo, por me ver
e quando voltar... ali estarei

tic-tac
espero…
porque não tenho para onde ir
porque não tenho com quem ficar
e assim… só me resta esperar

photo: night_unknown

tic-tac
cai mais um pedaço do relógio
num chão roído pelo tempo
enquanto espero…
esperando não sei o quê…

tic-tac
e não surges…
e não te vejo…
procuro-te algures…
e o teu ser eu desejo…

tic-tac
espera que teima em demorar
enquanto sorris sem eu ver
enquanto te moves sem eu saber
e eu aqui… esperando…

tic-tac
pouso a caneta
fecho o caderno
tiro os olhos da folha branca
e vou viver…

tic-tac
quando eu menos esperar tu encontras-me
inspiração do meu ser
que varres a minha alma
e que limpas as lágrimas do meu coração

Bruno Ribeiro
no tic-tac do tempo

segunda-feira, maio 19, 2008

há em mim

photo: trajectória do silêncio que te busca_heliz

há em mim
o silêncio da tua ausência
que crava
lá fundo,
bem profundo…
um amargo sentir
a fria sombra
que me beija
em forma de lágrima!

vivem em mim,
respira,
tortura
no meu ser
a ausência do teu viver
que chamo
no silêncio das palavras
que tenho de guardar
vivendo…
o dia-a-dia,
procurando viver
com um utópico sorriso
que esboço
sem vontade!

és a vida que me fugiu
e rebolo nas masmorras
do que sinto
e não consigo expulsar
do meu interior
fundo,
lá bem profundo…
no coração
que deixei nas tuas mãos.

reside em mim
a crepúscula
melodia da agonia
tocada pelo violino
que embala
o esboço das palavras
que desenho
efémeras,
no abraçar a solidão
vazia na multidão…

tacto na solidão
cheiro o teu perfume deixado
saboreio o amargo da tua ausência
ouço a própria sombra
olho… para minha a mão – vazia


Bruno Ribeiro
PMS. 27.Out.007

sexta-feira, maio 16, 2008

brinde

photo: falta-me tempo para procurar o tempo perdido_mariah

bebe da saudade que me absorve
as palavras de te querer ver
no barco que nos guia
até ao cruzar de qualquer olhar!

bebo da forma de querer
navegar pelo teu olhar
nos meus braços que querem
acolher-te neste meu beijo…

Bruno Ribeiro
Abril.008

quinta-feira, maio 15, 2008

timidez


photo: ask me no questions ..._avalon

esse teu olhar felino
de lábios rosados e húmidos
que me sorri!
esse teu gesto sedutor
de vestido justo
que me encanta…!

ai!

não fossem os meus gestos tímidos…
neste apaixonar lento
de uma troca de olhares…

ai!

não fosse a minha voz trémula
neste apaixonar lento
de uma troca de vontades…

esse requinte perfumado
que me embala
num jardim de tentações!
esse teu andar serpenteado
no caminho do nosso beijo
turbilhão de desejos…!

ai!

não fosse o dia noite
neste apaixonar lento
de uma troca de olhares…

ai!

não fosse o desejo sano
neste apaixonar lento
de uma troca de vontades…

e já estariam no chão
espalhadas… perdidas…
não queremos saber.
as roupas que nos tapavam…

e já estariam no chão
juntos… unidos…
não queremos saber.
os corpos que se destapavam…!

mas temos de nos conter
nesta troca de olhares
nesta vontade infame
de nos amarmos…

mas temos de nos conter
nesta troca de vontades
nestes olhares infames
de nos amarmos…


e as nossas mãos juntas
abertas e a dançar
serpenteando o ar
desenhando formas diluídas
na vontade de nos amarmos
ali mesmo,
em que o teu vestido justo
te desliza pelo corpo
assim como o meu olhar
que se perde nas tuas formas…
ali mesmo,
em que me percorres
com a brisa da tua voz
enquanto as mãos desenham
as vontades do nosso olhar!

Bruno Ribeiro
Lx. 6.Abril.008

terça-feira, maio 13, 2008

ausente


café,
peço simplesmente a um desconhecido
que me trás sem se apresentar,
agradeço e dou uma moeda
e saboreio…
um casal passa…
duas crianças brincam…
um pombo pousa, na calçada gasta
de tanta vida passada…

línguas estranhas ao meu ouvido,
música longínqua…
cadeiras vazias…
passos apressados, saltos de senhora,
picotar de bengala, um tossir…
transeuntes que passam…
cadeira vaga à minha frente
e o desejo de te ver ali sentada!

estou ausente de mim mesmo,
o que sinto mantém-me vivo,
o que sinto corrói e mata…
entre o silêncio das palavras


Bruno Ribeiro
Lx.8.Out.007

domingo, maio 11, 2008

o meu adeus a ti

photo: Conde de Rivera_alba luna


sangro versos do meu olhar
que desponta o eclipse do meu sentir
melodia do meu viver
a dita ausência do teu ser

vagas do som das palavras escritas
sentidas, pensadas e ditas
no auge do livro que se fecha
páginas do meu corpo que se esvai.

entre as ramagens vazias
e as margens suturadas
de sílabas monocórdicas
num último instante…

… o adeus!

Bruno Ribeiro
28.Abril.008

sábado, maio 10, 2008

esboço de um beijo

photo: duo_unknown


vasculho nas formas do tempo
quantas lembranças de recordar
o teu brilhante olhar…
aquele que me transporta, que me varre
para um qualquer lugar!
cristalino, que me seduz
que me despe no silêncio das palavras
diálogo do nosso beijar!
'os teus lábios carnudos

Bruno Ribeiro
Abril.008

sexta-feira, maio 09, 2008

encenação da nossa paixão

photo: suspensa na penumbra do instante_heliz

o cenário.

chuva que banha a noite
contornando-a, iludindo-a,
luzes apagadas,
música suave… uma brisa
velas espalhadas que nos envolvem
só os nossos corpos
rasgam este falso silêncio…

os cúmplices.

tu e eu!
a nossa vontade
os nossos sentidos
os nossos olhares
os nossos pensares
os nossos sentires
os nossos desejos
a nossa paixão
os nossos corpos…

photo: sem nome_sti

dança da loucura
que se abate sobre nós
levando a roupa cair
desembrulhando o nu dos nossos corpos
num gesto,
juntos…
as bocas que se unem…
as línguas que se amam…
levanto os teus braços
e colo-me nos teus seios
beijo louco…
que percorre o teu rosto
que se desenvolve no teu pescoço…
a tua perna
que me aperta até ti…
e saboreio os teus seios
o teu corpo…
e penetro-te com a minha língua
ardente…
invade em mim a loucura carnal
alvejando o teu corpo
com a minha paixão
empurro-te contra a parede
olho nos teus olhos…
que desvendam o diluir
dos nossos corpos, um no outro!
sinto-te…
sentes-me…
as respirações cada vez mais ofegantes
o nosso suor que se mistura
as nossas línguas que se saboreiam…
os nossos corpos que se amam…

Bruno Ribeiro
Abril.008

quarta-feira, maio 07, 2008

sombras da noite

photo: habito em mim por engano_mariah

são nos sons da noite
que mais sinto o silêncio do teu olhar…


de me ver na tua ausência
arde em mim a gélida pálida solidão
de me ver presente e ter
na tua ausência a companhia
do encruzilhar do meu pensar
com a imensidão do meu sentir!

e são nas margens deste livro
que pauto os acordes da minha dor
que não apazigua por te saber
afastada de mim, em silêncio!
é magra, a esperança de te encontrar
e no ruído do dia tento não te lembrar,
mas dói…

acompanho o choro do violino
por cantar a solidão
que dança comigo neste embrenhar
da chama ardente da tua ausência
que teima em não acalmar!

as palavras parecem-me cansadas
como um dia as últimas lágrimas
que se esculpiram no meu olhar!
e ainda choro, no tremule anoitecer
do meu acordar.

Bruno Ribeiro
Lx.22.Out.007

terça-feira, maio 06, 2008

Coimbra

photo: a balada de coimbra_mariah


limpo as cordas de uma velha guitarra
que não sei tocar!
do tempo em que recordo com saudade
mas agora apetece-me tocar
desordenado,
entre suspiros e sorrisos…

velhos rostos que guardo
nas páginas da memória do tempo
que teimei em não esquecer
e guardar com ternura
num lugar especial!
perdi-me… em ruas estreitas
mas encontraram-me
por isso sorrio…
e as velhas recordações rejuvenesceram
e agora salpicam-me de emoções
pintado pelos abraços entre amigos
velhas canções à volta da fogueira
junto ao rio que nos une!

voltei a abrir esse livro
que desejava abrir um dia
não sabia como
mas do nada… abriu-se para mim

dedicado :: aos velhos amigos de Coimbra

Bruno Ribeiro
Lx. 28 Maio. 007

domingo, maio 04, 2008

sonho molhado


espero por um momento, um eclipse
mas também espero pelos momentos
em que as flores azuis brotam para a vida
como as primeiras notas de uma música
que a brisa do vento trás, fresca e alegre!

procuro também os momentos
em que os pássaros voam para pousar
sobre os ramos verdes e coloridos das árvores,
de uma viagem longa, tão longa como a vida!

mas a vida só é longa se a souberem viver...

procuro os nanosegundos em que com espanto
acordas para um novo dia
com um sorriso nos lábios...
com um olhar feliz...
com mil beijos nos lábios...
com um madrugar feliz...
e em que queres viver comigo todos os dias, dia-a-dia!

mas um eclipse é sempre mágico!
quando o sol e a lua se amam...
nascem milhares de milhões de estrelas...
acendem-se milhões de milhares de barcos
que se cruzam entre si...
e criam estrelas cadentes que vão cair e brilhar nos
mares
e os barcos... mágicos como são
reluzem no céu negro da noite
com candeias de neptuno


procuro o momento!
aquele em que com um olhar
me dizes que me desejas...
aquele em que com um beijo
me dizes que me amas...

aquele em que toda a tua roupa
desliza pelo teu corpo como seda...
como o mar quando despe a areia,
como o dia que despe a noite...

abraçados, sentados na areia
a ver-o-mar durante a noite
à espera do dia...

agarrados corpo-a-corpo
colados pelos lábios...
me dizes – “para sempre!„

um sempre maior que o céu
o lençol que nos cobre!
maior que o universo que nos acolhe;
maior que o número de estrelas,
ou os grãos de pó,
ou o ar, a água ou a terra!
maior que todos os seres
maior que todos os reis
maior que todos os deuses

um sempre que nunca morre...

e são as músicas que tornam alguns momentos,
.................................................- momentos únicos
e são os gestos que nos marcam
as palavras e os sorrisos...
as palavras que não se dizem pela boca, apenas com
os olhos
olhares que tudo dizem tudo mostram

o momento que procuro...
é toda uma vida de felicidade que desejo ter
contigo a meu lado e contigo viver;
contigo sorrir e rir, chorar e falar;
contigo ver, observar, olhar e aprender;
contigo viajar, estar e querer
e olhar para o céu e lembrar os barcos
olhar para o mar e ver o primeiro olhar

e quando menos se espera
a magia aparece e faz suspirar!
e criam-se palavras e frases que não existiam
e canta-se, dança-se e abraça-se...

sonha-se...



uma nuvem que nos leva pelo mundo
ver o pôr-do-sol ali e acolá
e na cama o nascer de um novo dia,
amanhecer com beijos...
adormecer com desejos...
viver com a música que nos cativa

e é amar-te assim perdidamente
em que uma rosa refresca o teu corpo
percorre-o suavemente... arrepiando-o...
beija-o...

é como um rio que desce uma montanha devagar,
devagarinho...
é como uma pena perdida no ar
que está a passear com o vento;

um cubo de gelo a tocar no pescoço, nos ombros e no
umbigo,
sem caminho traçado e com destino incerto;

os meus lábios beijando a água derretida,
lambendo e deixando saliva,
muito devagar devagarinho...
e as mãos a seguirem caminhos distintos...
pelos teus seios...
e beijo-os... e lambo-os... mordisco-os...

beijo-te!



a minha língua toca na tua língua;
os meus lábios tocam nos teus lábios;
os meus lábios tocam na tua língua;
a minha língua toca nos teus lábios...

lambo-te o pescoço... beijo-te os ombros..
desço para os seios molhados e fico por lá...
desço até ao umbigo que parece um poço
onde sacio a minha sede, o meu desejo...
e desço...
desço mais... e perdido...
deixo-me ir pelas ancas, pelos joelhos até aos pés...
lavo-os com carícias, massajando com beijos...
sem te aperceberes, subo pelas pernas...
e perco-me...

abro os olhos e percebo que estou só na cama
desejando, pelo menos, ter-te a meu lado...

Bruno Ribeiro
Lisboa, 13 de Dezembro de 2003

domingo, abril 27, 2008

desassossego

photo: a liberdade da vontade_heliz


nevoeiro,
palavras que procuram um farol para assentar…
vozes preocupadas sussurram,
pensamentos inquietos que transpiram
entre trocas de olhares cansados…
perturbados…

livro rasgado…
pelo que foi dito e não dito…
pelo que foi feito e não feito
pelo que foi pensado ou ignorado…

fio-de-prumo,
que se enrola numa espiral
envolto em dúvidas, em si mesmo,
que desliza no vácuo do sentir!

e são as letras da calçada
onde escrevo no meu andar
a melodia do que sinto e penso
apetite voraz de te olhar!

Bruno Ribeiro
Lx. 10.Out.007

segunda-feira, abril 21, 2008

o velho piano

gotas de charme,
a cada toque suave e firme
que se estende por um piano rouco
do pálido tempo que lhe passou!
o pó,
que o envolve como uma teia
apodera-se da sua alma
enquanto o silêncio o beija…
mas o coração ainda bate…
e bate… e bate…
enquanto a esperança de voltar a cantar
permanece intacta desde o dia que nasceu!

ergo o olhar sobre ele
e estendo-me em seu redor
soprando… lufada de ar fresco
e dou-lhe voz!


são pétalas musicais
que voam até aos nossos corações
como bolas de sabão… voando
entoando acordes vibrantes
que dançam e nos encantam
que nos elevam aos céus
que nos libertam
que nos comovem…

são gotas de charme
de uma eterna sedução
que se exprimem sobre teclas…
e o pó que cai como as lágrimas
e o foco de luz que ilumina
os dedos mágicos que lhe dão vida!
enquanto o seu vulto
permanece na escuridão…

encanta…
delira…
vibra…
delicia…
enquanto a liberdade da tua voz soar
dentro do coração que te quer beijar!

piano… piano da vida…
não te cales…
sou o corvo que poisa em ti
deliciado, enquanto cantas!


a melodia que tu emanas
fazem delirar o meu ser
que se exprime na mão
que segura esta pena de corvo
que escreve com nanquim
nestas páginas amareladas pelo tempo
tonalidade das tuas teclas,
outrora elegantemente preto e branco
palavras surdas e mudas
cegas para quem nada sente
vazias para quem nada pensa!

'mas essas minhas palavras
morrerão na cinza das memórias
enquanto esses teus acordes
não se perdem na efemeridade do tempo!

Bruno Ribeiro
Lx. 18.Abril.007

sexta-feira, abril 18, 2008

passeio à beira-mar

photo: canção da geni_heliz

os pés afundam-se na areia
que se mistura apaixonada com o mar
sobre o manto estudo da noite
tão límpida, como o brilho do luar na água!
e a flor negra que nasce neste areal?
que nasce de lágrimas inocentes
sorrisos ausentes, passos deambulantes…

canto da sereia de cabelos negros
que me inspiras sem saber
o teu corpo dança sob o meu olhar
o teu perfil, prateado pela lua
ilumina o caminho dos poetas
e eu percorro esse caminho
sobrevoando pelo desconhecido
pousando num galho a teu lado!
uma fogueira acende-se por magia
e uma suave melodia entoa
neste silêncio que quebramos…
as horas caiem como estrelas
entre palavras que trocamos
e no amanhecer,
mergulhas para o mar
e eu subo a falésia
trocando sorrisos, imagem do teu rosto

Bruno Ribeiro
Praia da Falésia, 25.Agosto.007

terça-feira, abril 15, 2008

margens de solidão

photo: estamos todos bem servidos de solidão..._mariah

vagens do meu olhar
pesado de não te ver
sonhando com imagens tuas
sonhando acordado,
acordado sem sonhar…

vagens de lágrima utópicas
pois é de um olhar vazio de não te ver
que se ergue um rosto seco
das noites acordado sem dormir
sem sonhar acordado.

bate no vidro porque em mim não bate
a última folha sem esperança
de sonhos vagos sem sonhar
qualquer desejo que me invade
despido de qualquer ser
porque em mim não resido!

Bruno Ribeiro
Lx. 17.Out.007

domingo, abril 13, 2008

a fragrância do teu sorridente olhar!

photo: da leveza possível_Heliz


há fragrâncias que se guardam
tal como o olhar que paralisa
um outro nosso olhar.
sorrir, desconhecendo o motivo,
apenas por te olhar!
deslizando pela tela do teu brilho
na constância presença
de recordar esse jeito inconsciente,
por vezes, rasgando o provocador…

são memórias da tua fragrância
esse teu sorriso que recordo
neste meu presente a tua ausência
mar trivial de te querer falar
só para ouvir a tua voz!

áspero o trilho, penoso,
de quando um “até amanhã”
me faz afastar de ti!


Bruno Ribeiro
Lx. 24.Out.007

quinta-feira, abril 10, 2008

oásis

photo: o visivel e o invisivel_GABA


Banho-me nesta noite,
Em que esvoaço no olhar,
Presente em mim,
O tremido de um coração
Desalojado, que te deseja,
Dançando, ao som das ondas do mar
Em que o teu corpo
Seduz o meu, no olhar incógnito
De outras gentes!

Tu és o oásis,
Em que o delírio me leva a ver-te
Onde não estás…
… Sempre na imensidão
Do deserto em que me encontro
De não te ver!

Delírios que transborda
Entre o ressoar do vento
Que bate violentamente
Nas folhas de palmeiras
Que se estendem, não sei por onde!

Danço, entre o vazio das nossas sombras
Desencontradas e unidas…
No silêncio desta noite
Em que me banho!

Bruno Ribeiro
Punta Cana, 29. Março. 008

terça-feira, abril 08, 2008

deixa que te diga

photo: desespero_paulo madeira

Deixa que te diga
as saudades que me tocam em silêncio
e me beijam sem te olhar.
Deixa que o teu sorriso me siga
neste trilho dos sentidos que anuncio,
que me torturam ao te recordar!

Preciso de silenciar
estas palavras que não aliviam a dor,
tormentos de um passado
e porque temo lembrar
os sentidos que pautam esse ardor
que nasceu em mim. Cansado

de olhar para lágrimas caídas,
vazadas nas minhas mãos
pousadas em silêncio no meu
escutar as palavras idas
que se erguem nos tempos vãos
momento em que o coração morreu!

Deixa que te diga
através do olhar aquilo que sinto
pois a minha voz desmaia
no rio que desliza
sobre o meu rosto que pinto
com o sal em que me esvaio.

Bruno Ribeiro
PMS. 27.Out.007

sexta-feira, abril 04, 2008

caminho da morte


Percorro caminhos nos palácios romanos
Sinto o odor do público a aclamar
O nome do meu carrasco
Sinto a humidade que escorre
...........................Das paredes de pedra
Nestes caminhos do subsolo
Sinto o som do afiar as espadas
O som dos cavalos…
Saboreio no ar o sabor da areia
Que se banha no centro da arena
Percorro os calabouços dos palácios
Por entre a multidão que vibra
Por um qualquer meu desconhecido

Ar pesado,
Sinto o suor do público
A ferocidade e a alegria
Sou atirado para o desconhecido
Enviado às feras do apocalipse…

Percorro os escombros dos meus passos
Sinto o fervilhar do olhar do carrasco
Que se ergue à fome
De lançar a espada para me esventrar
Estendem-lhe uma mesa de armas
Panóplia do aço da morte
Ergue uma espada e um escudo
O som ensurdecedor da multidão
Metal contra metal
Espada contra escudo
E a multidão a vibrar…
Sinto o odor da carne
E o carrasco à espera
De poder começar a triturar-me
Ergo o olhar ao desconhecido
E os pensamentos estão longe dali!

Na tribuna todos apostam
Duvido que alguém aposte em mim,
(por certo seria perda de ouro)
Alguém se ergue…
Levanta a mão…
Sinal do início do festim
Em que a minha carne será banquete

O carrasco volta a erguer
O escudo e a espada de metal
O público aplaude…

Eu ergo uma pena de corvo!

Bruno Ribeiro
Lx. 3.Nov.007

terça-feira, abril 01, 2008

fechar os olhos

photo: refugiei-me dos teus sentimentos_ daniel oliveira

apenas quero fechar os olhos
e adormecer…
e quando o sol raiar
e os pássaros começarem a cantar
e por fim eu acordar
tudo isto ter passado por sonho…
um mau sonho,
bom pesadelo…

quero fechar os olhos
e quando os abrir, tu aqui!
poder olhar-te e sorrir!
poder tirar o peso que acarreto
finalmente respirar!

fechar os olhos…
e adormecer sem ter nada
a atormentar
nenhuma farpa cravada
nenhum pedaço de vidro
nenhuma faca ou espada
em chama ardente!

os olhos,
adormecer saboreando o teu corpo
com os dedos e o olhar
olhar nos teus olhos e sorrir
beber do teu sorrir
e beijar os teus lábios
saciar a sede dos teus beijos

olhos…
que possam parar de chorar
as lágrimas secas
que me afogam
e por fim, abrir uma brecha
de luz no meu coração!

apenas quero fechar os olhos
e poder dizer o que sinto
com uma palavra
com um gesto
com um olhar
com um beijo…

Bruno Ribeiro
Lx. 1.Nov.007