terça-feira, junho 03, 2008

remando entre versos

photo: there's a place where we belong_heliz

remo,
entre versos nostálgicos
sombras… fantasmas… pesadelos…
histórias de vagas de sal
entre passos desconcertantes
que desesperam entre gestos
esquecidos…
pelo tempo… templo de olhares,
melodias intemporais
resvalam entre as minhas veias
como lágrimas de sangue,
que pincelam neste quadro – meu ser
uma ilusória lanterna de salvaguarda…
desespero… desespero…
cravado nas pedras da parede com o meu sangue
rastejando entre o suor das palavras.
vagas. sentidas. doridas
criadas no âmago do meu viver
perdido que estou,
entre as linhas que me penteiam as mãos
pesam tanto os meus olhos…
destas lágrimas gélidas
que brotam em avalanchas…
sufocando-me…
engasgando-me… no silêncio da noite
entre murmúrios que desconheço
murmúrios meus…
acordes que me despedaçam…
flagelam o meu mais remoto sentir
e o som de mais uma entre tantas
lágrimas caídas a meus pés.
letras soltas neste temporal dos sentidos
que esvoaçam em desdém
de mim próprio!

photo: no final da tarde eu amo a tarde_heliz

desespero…
varre em mim a cólera destes versos
que me espelham numa mancha negra
rabiscos soltos de qualquer coisa
que desconheço
rabiscos de mim…
vagueio… porque não sei para onde ir…
tudo me parece cheio…
tudo me parece vazio…
perco-me nos ponteiros,
por detrás de uns óculos escuros
para que não me leiam…
deliro, entre movimentos soltos
danças de um estar onde não sei onde estou
desespero.. este meu andar
por entre os ponteiros que pautam
o afastar…

assim remo…
… remo entre versos nostálgicos
remo para onde não quero estar
fugindo de onde não quero ficar…
sem destino…
apenas remo…
folha de papel deixada para trás…

ai. que desatino este desespero!

bruno ribeiro
lx. 11.maio.008

10 comentários:

Secreta disse...

Um desespero que não se explica e contra o qual não se consegue lutar ...
Beijito.

NAELA disse...

Quantas vezes nesta vida nossa alma é ferida e cantamos a soluçar, quantas vezes nos nos rimos escondendo o que sentimos com vontade de chorar (anonimo)!
Bruno o teu poema expressa bem que existem momentos que o melhor é sentir "e pintar naquele quadro negro um traço branco…
pincelada de esperança!"
Beijo terno

MirMorena disse...

Solta as amarras...
Nada te prende....somente o teu querer reina...
Te liberta....
Voa....

Bjusss de carinho

Som do Silêncio disse...

Ai que desatino este texto!
E mais não digo!
:p

Beijo

f@ disse...

Re.....
.......mar assim nas ondas desta poesia de águas transparentes faz o sonho...
beijinhos das nuvens

teetee disse...

Como eu me cozo com as linhas que escreves e descreves a tua alma! Como eu sei o que é vaguear, esperar pelo nunca chegar...
Quem me dera ser uma boneca de trapos só para poder cozer todos os meus pedacinhos...

Abracinho, dorido...

Teetee

pimentinhabm disse...

o pq de tnt desespero?

=*

sabias palavras!!!
mas aki voltando ao assunto dia dos namorados, hmem nem lembra msm essas coisas, mas eu axo q as coisas mais simples devem ser comemoradas,pois por mais simples q sejam tem umv alor enorme!
=*

EDUARDO disse...

SENTI-ME nas tuas palavras!!!

abraço

Carol disse...

Bolas, fiquei triste...

Azul disse...

Este...

Este eu já o li MUITAS vezes.
MAs...

Fico assim...
Em silêncio! Num silêncio só meu!

Beijo e abraço daqui
Azul