quinta-feira, julho 10, 2008

o vento

photo: o entendimento das almas_heliz

escrevo nas folhas das árvores
a minha poesia.
proíbo o meu esquecimento
e obrigo a lembrança
dos meus feitos, das conquistas,
enaltecidas aos apóstolos do vento
e às sereias do mar,
aos diabos do céu
e aos anjos do inferno.
cravo uma harpa no coração
e uma faca nas veias,
para o meu sangue correr nos rios,
beijar as lagoas e passear nos oceanos.
quero ser o mel das afeições
e o brilho das relíquias
que se espalham no sal do teu rosto.

eu sou o comandante dos céus
e o varredor das ruas,
eu sou aquele que sentes e não vês,
quem te beija sem proferires palavra,
aquele que te arrepia e acaricia.
eu sou a destruição e o amor,
a verdade e a traição
e não pertenço a ninguém...
senão à minha paixão, ao meu amor...

tu podes saber quem sou,
mas, nunca saberás o que sou.



Bruno Ribeiro
2000

6 comentários:

Som do Silêncio disse...

Aí é que te enganas...
Sei bem o que és... :) e quem és!

Um beijo terno doce Bruno!

Twlwyth disse...

Sente-se o vento nas tuas palavras, sente-se quem és.

Beijos Bruno

f@ disse...

Mel das afeições,... parece-me bem
mto bonito poema...
Beijinhos das nuvens

NAELA disse...

O vento que acaricia os teus versos desvendando quem es, um enigma com rosto coberto de Amor!
Bruno esta simplesmente fantastico
Beijinhos

João Videira Santos disse...

Um belissimo poema.

Luís Galego disse...

cravo uma harpa no coração...

fortes as palavras que habitam neste poema...