sexta-feira, maio 09, 2008

encenação da nossa paixão

photo: suspensa na penumbra do instante_heliz

o cenário.

chuva que banha a noite
contornando-a, iludindo-a,
luzes apagadas,
música suave… uma brisa
velas espalhadas que nos envolvem
só os nossos corpos
rasgam este falso silêncio…

os cúmplices.

tu e eu!
a nossa vontade
os nossos sentidos
os nossos olhares
os nossos pensares
os nossos sentires
os nossos desejos
a nossa paixão
os nossos corpos…

photo: sem nome_sti

dança da loucura
que se abate sobre nós
levando a roupa cair
desembrulhando o nu dos nossos corpos
num gesto,
juntos…
as bocas que se unem…
as línguas que se amam…
levanto os teus braços
e colo-me nos teus seios
beijo louco…
que percorre o teu rosto
que se desenvolve no teu pescoço…
a tua perna
que me aperta até ti…
e saboreio os teus seios
o teu corpo…
e penetro-te com a minha língua
ardente…
invade em mim a loucura carnal
alvejando o teu corpo
com a minha paixão
empurro-te contra a parede
olho nos teus olhos…
que desvendam o diluir
dos nossos corpos, um no outro!
sinto-te…
sentes-me…
as respirações cada vez mais ofegantes
o nosso suor que se mistura
as nossas línguas que se saboreiam…
os nossos corpos que se amam…

Bruno Ribeiro
Abril.008

quarta-feira, maio 07, 2008

sombras da noite

photo: habito em mim por engano_mariah

são nos sons da noite
que mais sinto o silêncio do teu olhar…


de me ver na tua ausência
arde em mim a gélida pálida solidão
de me ver presente e ter
na tua ausência a companhia
do encruzilhar do meu pensar
com a imensidão do meu sentir!

e são nas margens deste livro
que pauto os acordes da minha dor
que não apazigua por te saber
afastada de mim, em silêncio!
é magra, a esperança de te encontrar
e no ruído do dia tento não te lembrar,
mas dói…

acompanho o choro do violino
por cantar a solidão
que dança comigo neste embrenhar
da chama ardente da tua ausência
que teima em não acalmar!

as palavras parecem-me cansadas
como um dia as últimas lágrimas
que se esculpiram no meu olhar!
e ainda choro, no tremule anoitecer
do meu acordar.

Bruno Ribeiro
Lx.22.Out.007

terça-feira, maio 06, 2008

Coimbra

photo: a balada de coimbra_mariah


limpo as cordas de uma velha guitarra
que não sei tocar!
do tempo em que recordo com saudade
mas agora apetece-me tocar
desordenado,
entre suspiros e sorrisos…

velhos rostos que guardo
nas páginas da memória do tempo
que teimei em não esquecer
e guardar com ternura
num lugar especial!
perdi-me… em ruas estreitas
mas encontraram-me
por isso sorrio…
e as velhas recordações rejuvenesceram
e agora salpicam-me de emoções
pintado pelos abraços entre amigos
velhas canções à volta da fogueira
junto ao rio que nos une!

voltei a abrir esse livro
que desejava abrir um dia
não sabia como
mas do nada… abriu-se para mim

dedicado :: aos velhos amigos de Coimbra

Bruno Ribeiro
Lx. 28 Maio. 007

domingo, maio 04, 2008

sonho molhado


espero por um momento, um eclipse
mas também espero pelos momentos
em que as flores azuis brotam para a vida
como as primeiras notas de uma música
que a brisa do vento trás, fresca e alegre!

procuro também os momentos
em que os pássaros voam para pousar
sobre os ramos verdes e coloridos das árvores,
de uma viagem longa, tão longa como a vida!

mas a vida só é longa se a souberem viver...

procuro os nanosegundos em que com espanto
acordas para um novo dia
com um sorriso nos lábios...
com um olhar feliz...
com mil beijos nos lábios...
com um madrugar feliz...
e em que queres viver comigo todos os dias, dia-a-dia!

mas um eclipse é sempre mágico!
quando o sol e a lua se amam...
nascem milhares de milhões de estrelas...
acendem-se milhões de milhares de barcos
que se cruzam entre si...
e criam estrelas cadentes que vão cair e brilhar nos
mares
e os barcos... mágicos como são
reluzem no céu negro da noite
com candeias de neptuno


procuro o momento!
aquele em que com um olhar
me dizes que me desejas...
aquele em que com um beijo
me dizes que me amas...

aquele em que toda a tua roupa
desliza pelo teu corpo como seda...
como o mar quando despe a areia,
como o dia que despe a noite...

abraçados, sentados na areia
a ver-o-mar durante a noite
à espera do dia...

agarrados corpo-a-corpo
colados pelos lábios...
me dizes – “para sempre!„

um sempre maior que o céu
o lençol que nos cobre!
maior que o universo que nos acolhe;
maior que o número de estrelas,
ou os grãos de pó,
ou o ar, a água ou a terra!
maior que todos os seres
maior que todos os reis
maior que todos os deuses

um sempre que nunca morre...

e são as músicas que tornam alguns momentos,
.................................................- momentos únicos
e são os gestos que nos marcam
as palavras e os sorrisos...
as palavras que não se dizem pela boca, apenas com
os olhos
olhares que tudo dizem tudo mostram

o momento que procuro...
é toda uma vida de felicidade que desejo ter
contigo a meu lado e contigo viver;
contigo sorrir e rir, chorar e falar;
contigo ver, observar, olhar e aprender;
contigo viajar, estar e querer
e olhar para o céu e lembrar os barcos
olhar para o mar e ver o primeiro olhar

e quando menos se espera
a magia aparece e faz suspirar!
e criam-se palavras e frases que não existiam
e canta-se, dança-se e abraça-se...

sonha-se...



uma nuvem que nos leva pelo mundo
ver o pôr-do-sol ali e acolá
e na cama o nascer de um novo dia,
amanhecer com beijos...
adormecer com desejos...
viver com a música que nos cativa

e é amar-te assim perdidamente
em que uma rosa refresca o teu corpo
percorre-o suavemente... arrepiando-o...
beija-o...

é como um rio que desce uma montanha devagar,
devagarinho...
é como uma pena perdida no ar
que está a passear com o vento;

um cubo de gelo a tocar no pescoço, nos ombros e no
umbigo,
sem caminho traçado e com destino incerto;

os meus lábios beijando a água derretida,
lambendo e deixando saliva,
muito devagar devagarinho...
e as mãos a seguirem caminhos distintos...
pelos teus seios...
e beijo-os... e lambo-os... mordisco-os...

beijo-te!



a minha língua toca na tua língua;
os meus lábios tocam nos teus lábios;
os meus lábios tocam na tua língua;
a minha língua toca nos teus lábios...

lambo-te o pescoço... beijo-te os ombros..
desço para os seios molhados e fico por lá...
desço até ao umbigo que parece um poço
onde sacio a minha sede, o meu desejo...
e desço...
desço mais... e perdido...
deixo-me ir pelas ancas, pelos joelhos até aos pés...
lavo-os com carícias, massajando com beijos...
sem te aperceberes, subo pelas pernas...
e perco-me...

abro os olhos e percebo que estou só na cama
desejando, pelo menos, ter-te a meu lado...

Bruno Ribeiro
Lisboa, 13 de Dezembro de 2003

domingo, abril 27, 2008

desassossego

photo: a liberdade da vontade_heliz


nevoeiro,
palavras que procuram um farol para assentar…
vozes preocupadas sussurram,
pensamentos inquietos que transpiram
entre trocas de olhares cansados…
perturbados…

livro rasgado…
pelo que foi dito e não dito…
pelo que foi feito e não feito
pelo que foi pensado ou ignorado…

fio-de-prumo,
que se enrola numa espiral
envolto em dúvidas, em si mesmo,
que desliza no vácuo do sentir!

e são as letras da calçada
onde escrevo no meu andar
a melodia do que sinto e penso
apetite voraz de te olhar!

Bruno Ribeiro
Lx. 10.Out.007

segunda-feira, abril 21, 2008

o velho piano

gotas de charme,
a cada toque suave e firme
que se estende por um piano rouco
do pálido tempo que lhe passou!
o pó,
que o envolve como uma teia
apodera-se da sua alma
enquanto o silêncio o beija…
mas o coração ainda bate…
e bate… e bate…
enquanto a esperança de voltar a cantar
permanece intacta desde o dia que nasceu!

ergo o olhar sobre ele
e estendo-me em seu redor
soprando… lufada de ar fresco
e dou-lhe voz!


são pétalas musicais
que voam até aos nossos corações
como bolas de sabão… voando
entoando acordes vibrantes
que dançam e nos encantam
que nos elevam aos céus
que nos libertam
que nos comovem…

são gotas de charme
de uma eterna sedução
que se exprimem sobre teclas…
e o pó que cai como as lágrimas
e o foco de luz que ilumina
os dedos mágicos que lhe dão vida!
enquanto o seu vulto
permanece na escuridão…

encanta…
delira…
vibra…
delicia…
enquanto a liberdade da tua voz soar
dentro do coração que te quer beijar!

piano… piano da vida…
não te cales…
sou o corvo que poisa em ti
deliciado, enquanto cantas!


a melodia que tu emanas
fazem delirar o meu ser
que se exprime na mão
que segura esta pena de corvo
que escreve com nanquim
nestas páginas amareladas pelo tempo
tonalidade das tuas teclas,
outrora elegantemente preto e branco
palavras surdas e mudas
cegas para quem nada sente
vazias para quem nada pensa!

'mas essas minhas palavras
morrerão na cinza das memórias
enquanto esses teus acordes
não se perdem na efemeridade do tempo!

Bruno Ribeiro
Lx. 18.Abril.007

sexta-feira, abril 18, 2008

passeio à beira-mar

photo: canção da geni_heliz

os pés afundam-se na areia
que se mistura apaixonada com o mar
sobre o manto estudo da noite
tão límpida, como o brilho do luar na água!
e a flor negra que nasce neste areal?
que nasce de lágrimas inocentes
sorrisos ausentes, passos deambulantes…

canto da sereia de cabelos negros
que me inspiras sem saber
o teu corpo dança sob o meu olhar
o teu perfil, prateado pela lua
ilumina o caminho dos poetas
e eu percorro esse caminho
sobrevoando pelo desconhecido
pousando num galho a teu lado!
uma fogueira acende-se por magia
e uma suave melodia entoa
neste silêncio que quebramos…
as horas caiem como estrelas
entre palavras que trocamos
e no amanhecer,
mergulhas para o mar
e eu subo a falésia
trocando sorrisos, imagem do teu rosto

Bruno Ribeiro
Praia da Falésia, 25.Agosto.007

terça-feira, abril 15, 2008

margens de solidão

photo: estamos todos bem servidos de solidão..._mariah

vagens do meu olhar
pesado de não te ver
sonhando com imagens tuas
sonhando acordado,
acordado sem sonhar…

vagens de lágrima utópicas
pois é de um olhar vazio de não te ver
que se ergue um rosto seco
das noites acordado sem dormir
sem sonhar acordado.

bate no vidro porque em mim não bate
a última folha sem esperança
de sonhos vagos sem sonhar
qualquer desejo que me invade
despido de qualquer ser
porque em mim não resido!

Bruno Ribeiro
Lx. 17.Out.007

domingo, abril 13, 2008

a fragrância do teu sorridente olhar!

photo: da leveza possível_Heliz


há fragrâncias que se guardam
tal como o olhar que paralisa
um outro nosso olhar.
sorrir, desconhecendo o motivo,
apenas por te olhar!
deslizando pela tela do teu brilho
na constância presença
de recordar esse jeito inconsciente,
por vezes, rasgando o provocador…

são memórias da tua fragrância
esse teu sorriso que recordo
neste meu presente a tua ausência
mar trivial de te querer falar
só para ouvir a tua voz!

áspero o trilho, penoso,
de quando um “até amanhã”
me faz afastar de ti!


Bruno Ribeiro
Lx. 24.Out.007

quinta-feira, abril 10, 2008

oásis

photo: o visivel e o invisivel_GABA


Banho-me nesta noite,
Em que esvoaço no olhar,
Presente em mim,
O tremido de um coração
Desalojado, que te deseja,
Dançando, ao som das ondas do mar
Em que o teu corpo
Seduz o meu, no olhar incógnito
De outras gentes!

Tu és o oásis,
Em que o delírio me leva a ver-te
Onde não estás…
… Sempre na imensidão
Do deserto em que me encontro
De não te ver!

Delírios que transborda
Entre o ressoar do vento
Que bate violentamente
Nas folhas de palmeiras
Que se estendem, não sei por onde!

Danço, entre o vazio das nossas sombras
Desencontradas e unidas…
No silêncio desta noite
Em que me banho!

Bruno Ribeiro
Punta Cana, 29. Março. 008

terça-feira, abril 08, 2008

deixa que te diga

photo: desespero_paulo madeira

Deixa que te diga
as saudades que me tocam em silêncio
e me beijam sem te olhar.
Deixa que o teu sorriso me siga
neste trilho dos sentidos que anuncio,
que me torturam ao te recordar!

Preciso de silenciar
estas palavras que não aliviam a dor,
tormentos de um passado
e porque temo lembrar
os sentidos que pautam esse ardor
que nasceu em mim. Cansado

de olhar para lágrimas caídas,
vazadas nas minhas mãos
pousadas em silêncio no meu
escutar as palavras idas
que se erguem nos tempos vãos
momento em que o coração morreu!

Deixa que te diga
através do olhar aquilo que sinto
pois a minha voz desmaia
no rio que desliza
sobre o meu rosto que pinto
com o sal em que me esvaio.

Bruno Ribeiro
PMS. 27.Out.007

sexta-feira, abril 04, 2008

caminho da morte


Percorro caminhos nos palácios romanos
Sinto o odor do público a aclamar
O nome do meu carrasco
Sinto a humidade que escorre
...........................Das paredes de pedra
Nestes caminhos do subsolo
Sinto o som do afiar as espadas
O som dos cavalos…
Saboreio no ar o sabor da areia
Que se banha no centro da arena
Percorro os calabouços dos palácios
Por entre a multidão que vibra
Por um qualquer meu desconhecido

Ar pesado,
Sinto o suor do público
A ferocidade e a alegria
Sou atirado para o desconhecido
Enviado às feras do apocalipse…

Percorro os escombros dos meus passos
Sinto o fervilhar do olhar do carrasco
Que se ergue à fome
De lançar a espada para me esventrar
Estendem-lhe uma mesa de armas
Panóplia do aço da morte
Ergue uma espada e um escudo
O som ensurdecedor da multidão
Metal contra metal
Espada contra escudo
E a multidão a vibrar…
Sinto o odor da carne
E o carrasco à espera
De poder começar a triturar-me
Ergo o olhar ao desconhecido
E os pensamentos estão longe dali!

Na tribuna todos apostam
Duvido que alguém aposte em mim,
(por certo seria perda de ouro)
Alguém se ergue…
Levanta a mão…
Sinal do início do festim
Em que a minha carne será banquete

O carrasco volta a erguer
O escudo e a espada de metal
O público aplaude…

Eu ergo uma pena de corvo!

Bruno Ribeiro
Lx. 3.Nov.007

terça-feira, abril 01, 2008

fechar os olhos

photo: refugiei-me dos teus sentimentos_ daniel oliveira

apenas quero fechar os olhos
e adormecer…
e quando o sol raiar
e os pássaros começarem a cantar
e por fim eu acordar
tudo isto ter passado por sonho…
um mau sonho,
bom pesadelo…

quero fechar os olhos
e quando os abrir, tu aqui!
poder olhar-te e sorrir!
poder tirar o peso que acarreto
finalmente respirar!

fechar os olhos…
e adormecer sem ter nada
a atormentar
nenhuma farpa cravada
nenhum pedaço de vidro
nenhuma faca ou espada
em chama ardente!

os olhos,
adormecer saboreando o teu corpo
com os dedos e o olhar
olhar nos teus olhos e sorrir
beber do teu sorrir
e beijar os teus lábios
saciar a sede dos teus beijos

olhos…
que possam parar de chorar
as lágrimas secas
que me afogam
e por fim, abrir uma brecha
de luz no meu coração!

apenas quero fechar os olhos
e poder dizer o que sinto
com uma palavra
com um gesto
com um olhar
com um beijo…

Bruno Ribeiro
Lx. 1.Nov.007

quinta-feira, março 20, 2008

hoje

photo: era uma manhã luminosa e chamaram-me_Heliz


Hoje,
vi a luz no teu quarto
acesa como um farol na minha busca
passei ao lado da tua porta
sabendo que o meu lugar não era aquele
mas inevitável,
os meus passos não te procurarem
no crepúsculo nocturno.

Hoje,
vi a luz no teu quarto
e não senti a saudade a abraçar-me
nem a vontade de me salvar
naquele farol da utopia
que como o cantar das sereias
me levaria ao engano
pois o meu lugar não era aquele!

Hoje,
foi um bom dia
porque não derramei
qualquer olhar sombrio…
apenas porque perdi qualquer olhar.

Bruno Ribeiro
Lx. 9.Nov.007

domingo, março 16, 2008

fragmentos do teu rosto!

photo: o sudário de Mariam_heliz


recordo,
fragmentos do teu rosto…
livres de qualquer pensar!

sorrio,
ao olhar para o teu sorriso
e perco-me ao olhar-te!

saberás?
o que o meu olhar te tenta dizer
e que eu digo em silêncio…

escutas?
o que as minhas palavras mudas
te querem transmitir ao ouvido…

‘e sem saberes olho
para o teu olhar sorridente
que me fascina sem saberes

e em silêncio…
sigo o contorno da luz
que esboça o teu perfil

recordo,
fragmentos do teu rosto
soltos do dia-a-dia

sorrio,
no anonimato do meu olhar
e perco-me ao olhar-te…

saberás?
que o trilho do meu olhar
deseja encontrar-se com o teu…

escutas?
as palavras que te quero dizer
e ainda não tive coragem de o fazer…

Bruno Ribeiro
Lx. 16.Out.007

quinta-feira, março 13, 2008

nostalgia

photo: transumanização_heliz


eu não sei o que quero dizer…
mas tento esquecer-te
apagar-te das recordações
e tento me perder entre a multidão!
mas quando o meu pensamento não vagueia
quando paro…
sei que não te esqueci!

apesar de não saber o que quero dizer…
não consigo esquecer-te
nem apagar-te das recordações
mesmo que me perca na multidão!
o meu olhar que vagueia
sem saber para onde olhar, sem amparo
sente aquela fria lágrima. não te esqueci!

escorre no rosto fatigado
de não te procurar e não te ver,
uma dor aguda por não te ter!
semblante carregado…
por que te quero esquecer
para finalmente poder viver!

Bruno Ribeiro
Lx. 6.Out. 007

domingo, março 09, 2008

o abraço da solidão

photo: sem título_Francisco Garret


sinto os beijos vazios nos meus lábios
e a vazia presença da tua ausência…
sinto os lábios macios na imaginação
em que te olho e te vejo quando não estás…
sinto o florescer do teu sorriso
e a lágrima que cruza o meu rosto
sinto as palavras que se perdem
no rio da minha doce amargura

sinto o abraço da solidão

os teus beijos…
sinto falta!

dá apenas a oportunidade de falar
à tua voz que me embala

Bruno Ribeiro

quarta-feira, março 05, 2008

na tua ausência

photo: plastic wind_D Di Arte


Quando dou por mim, penso em ti
e não durmo se penso em ti
e se durmo é em ti que sonho
devaneio mais que devaneio de sonho!
Tristonho, se dou por mim
cinza do crepúsculo que há em mim,
se sonho e não me lembro
sei que o sonho a ti pertence
e não sabendo porque relembro
um olhar ausente a mim pertence.

e por fim,
Dou por mim a pensar em ti!

Bruno Ribeiro
Lx. 17.Out.007

sábado, março 01, 2008

o som do silêncio

photo: escolhida e cedida gentilmente por Som do Silêncio [só poderia ser assim]

escuto no som da noite
a incerteza do lugar
a que pertenço,
perdido que estou, em que penso
no não querer pensar
um acreditar que persiste.

Bruno Ribeiro

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

a partida (parte II)

photo: o significado dos sonhos I_Heliz


de velas içadas,
“sinto a voz do vento, o calor do céu!”
permaneço agarrado à âncora da esperança
neste barco frágil, barco de papel…
viajo sem saber para onde
vagueando nos mares que desconheço…
tento esquecer o que deveria ter esquecido
e que determinados momentos
faz doer o relembrar
de momentos que doem…

é no vazio do infinito mar
que tento esconder as minhas lágrimas
em palavras que inconscientemente escrevo…
ser meu… que sem coração
seria capaz de suportar… esta dor!
por incompreendida, velha dor!
porque não apaziguo o que me dói?

velas içadas neste céu nocturno
onde meia-luz incide sobre o mar adormecido…
único caminho que vejo
mas só o vento sabe para onde vou!
pego na minha velha guitarra sem cordas
e toco a melodia surda da solidão
que assola o meu ser!

não sei o que quero e já não sei quem sou…
[ou sempre soube?]
- corvo dos mares
com penas de nanquim!

e continuo a minha viagem
de uma partida já bem distante
e um chegada desconhecida…

Bruno Ribeiro
Agosto.007

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

dança dos desejos

photo: dança canalha I_Heliz


toca-me no rosto com as mãos,
enquanto os meus olhos fechados
...........................- repousam o meu corpo
toca-me com os teus lábios
enquanto o desejo do meu ser
...........................- se manifesta de olhos fechados
sussurra como a brisa leve
qualquer coisa ao ouvido
e deixa-me sentir o teu perfume...
ama-me com o olhar...
com o sorriso, com as mãos...
sopra no meu corpo
e afasta as cinzas das lágrimas...
olha-me e sorri...
deixa-me sentir de olhos fechados
o sorriso do teu corpo....
e deixa que a paixão nos guie
nesta dança das mãos e dos olhares...

Bruno Ribeiro
Lx.20.Fev.007

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

train trip - até ti

photo: ad ultimum_rui pires


o sol ainda está a acordar
os pássaros começam-se a espreguiçar
o galo canta
como um relógio de cuco…

já eu fecho a porta de casa
mochila no ombro
e os versos na alma…
sorrio para os primeiros raios de sol
e à minha volta
as janelas começam a abrir os olhos
aos poucos a cidade acorda
um despertar lento
para a vivacidade do dia-a-dia
caminho…
desperto todos os meus sentidos
e caminho…
bilhete de comboio no bolso
e parto…
para o finito da linha
que nos une…

o que me espera?

Bruno Ribeiro
Lisboa-Porto, 29 Abril.007


sexta-feira, fevereiro 15, 2008

rasto de lágrimas

photo: de pedra com dor_daniel oliveira


Um passeio ao ritmo da chuva
A cair nas pedras da calçada...
Quando dou por mim e à minha volta
Tudo seco... será da chuva seca? Isso existe?
Olho para trás de mim
E vejo um rasto de lágrimas caídas
Desmaiadas nos meus olhos...
Sombra do meu próprio ser!

Bruno Ribeiro
PMS,3.Fev.007

terça-feira, fevereiro 12, 2008

guitarra do teu olhar

photo: adormeci a ouvir a voz da terra_Heliz


tépidas as palavras
que brotam do meu ser
em rasgos do meu olhar
na imemória do viver
a tua ausência…

sagaz a cor da lágrima
que jorra da minha alma
de te sentir longe
do intenso desejo de te ver
e de te ter

sorrindo, vendo-te sorrir
nos velhos passos guardados
ao lado, teu
de mão dada…

fugaz o teu abraçar o meu braço
que me envolve de calor
que te distribuo nos dias frios
e a tua fragrância natural
do toque suave do teu corpo
em corpo meu…

doces tâmaras,
os lábios que os meus desejam
sabor do teu sabor,
saliva adocicada

vem… vem até mim
e sorri no amanhecer do meu olhar
varrido pelo teu cabelo negro
escovado pelos meus dedos, desejo
das noites guardadas
e não dormidas
palavras vãs
na tua ausência
fado no sentir
a velha guitarra da saudade

Bruno Ribeiro
Lx. 26. Abril. 007

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

paz absorta!

photo: aqui_.k&p


deslizar rude,
como um raio que rasga a tela da noite
desta lágrima que me cai.

cega,
desliza pelo meu corpo rasgando-o
folha de um livro versado,

suada,
porque corre sem parar pelo rosto
enquanto a chamo

perdida,
como o meu andar ignorado
entre a neblina do desconhecido

corajosa,
porque cai, atira-se ao chão
como uma folha outonal…

e um sorriso a apagava
e um olhar a secava
e uma mão a tirava
_____de um qualquer meu olhar vazio!


e deixo-me absorver pela página da música
agarrado ao que tenho…
próximo de mim – o ar!
e deslizo pelo olhar da noite
passeando a minha sombra
erguida pela imensidão da vida!
_____imensidão ténue e frágil…

Bruno Ribeiro
Lx. 11 Maio. 007

terça-feira, janeiro 29, 2008

Tela de sedução

photo: 'Cause it's not going to stop..._heliz


São beijos, meu anjo
essas pétalas que caiem sobre o teu corpo
beijos de desejo, desejo por ti!
São pingos de paixão
esses de uma vela derretida
que percorre o caminho traçado
por um pequeno cubo de gelo
efémero… pelo calor do teu corpo
É apenas a minha mão,
essa pena que suave, esvoaça pelo teu corpo
numa espiral de sedução!
São apenas os meus olhos
que vislumbram o teu corpo
repousado… desejando-me!
São apenas pinceladas de ar
este suspirar profundo
em que os nossos corpos se unem
na subtileza do amanhecer!
e quando a noite chega
fragmentos de paixão deambulam
entre os nossos olhares…

por isso,
toca no meu rosto com a tua mão
e aproxima os teus lábios dos meus
deixa os nossos olhares conversarem
na melódica suavidade da paixão
tela ardente cravada na nossa pele!

Bruno Ribeiro
desejando-te algures, 27.Junho 007

sábado, janeiro 26, 2008

Perdido!

photo: o homem que quis matar o destino_heliz


Perco-me nas vozes que me divagam...
Perco-me no silêncio que me invade...
Perco-me na solidão que me assola...
Perco-me no tempo e no espaço...

‘a melodia que soa a traição
e a balada da mentira
não me saem da cabeça...

perco-me no esquecimento...
perco-me na vontade de sorrir...
perco-me nos acordes do silêncio..

que invade o meu ser
a cada instante
em cada momento...

perco-me na espuma do mar...
perco-me nas nuvens que esvoaçam...
perco-me na efémera palavra...
de me perder a mim próprio!

Perco-me na cinza das horas...
Perco-me na chuva...
Perco-me nas bolas de sabão...
Perco-me no meu próprio olhar!

Bruno Ribeiro
PMS, 11.Fev.007

domingo, janeiro 20, 2008

olhar do desejo

photo: intimate 24 _ a brito

‘são tantos os tempos que me perco no tempo
são tantas as imagens que me atravessam
mas o teu olhar… ai! o teu olhar…
faz-me perder o sentido de qualquer tempo,
faz-me imaginar perder-me no teu olhar…

‘são tantos os versos que me fazem perder
sobre os sorrisos da tua imagem que recordo
em pequenas lembranças do futuro
palavras escritas no meu olhar
de te desejar aqui ao meu lado…

‘desejar-te…

desejar beijar o teu rosto, os teus lábios,
desejar beijar o teu pescoço, os teus ombros,
desejar beijar os teus braços, as tuas mãos,

beijar o teu corpo… os teus seios…
a tua barriga… vê-la tremer… nervosa!
tocar-te ao mesmo tempo que beijo
brincar com a língua
pintar o teu corpo com a paixão
e saciar o meu apetite voraz!


‘são tantos os desejos que fico sem tempo
de não querer olhar no teus olhar…
fico sem tempo e não quero,
deixar de te olhar enquanto te possuo
e os teus olhos nos meus de prazer
insaciável os pecados da carne!

‘são tantos os tempos que me perco no tempo
são tantas as imagens que me atravessam
mas o teu olhar… ai! o teu olhar…

Bruno Ribeiro
PMS, 12, Março.007

quinta-feira, janeiro 17, 2008

danço em delírio

photo: o gesto lúdico do sonho_heliz


deliro…
vagueio no ar numa dança temporal
movimento-me por entre os acordes
como se fosse chuva…
o som no quarto, que me enche
que me faz viajar
pelas recordações, pelo presente e futuro…

deambulo…
no vazio do meu quarto
enquanto não se enche com o teu ser!
no vazio da minha rua
no meio desta multidão – solidão
pelos teus passos distantes desta calçada…

e as músicas sucedem-se…
e pinto no ar as suas letras
e esboço danças e delírios
embriagado pelo prazer de as ouvir
dançando imaginando-me a dançar contigo
um sorriso inocente no ar!

são as pedras brancas e negras dos pianos
são os traços que se rasgam do violino
que me enchem que me alegram
canto… e lá fora se alguém me ouve és tu!

delírio no vazio da solidão
danço com a minha sombra de luz apagada
enquanto não chegas…
e aí os nossos corpos pintam de prazer
o ar vazio do meu quarto
a calçada que não recebe os teus passos
a cidade sem a tua luz…
e enquanto dançamos
as nossas roupas desfazem-se
ao som destas melodias
ritmos frenéticos e harmoniosos…
o teu respirar…
sabor doce o dos teus lábios
e enquanto imagino esse toque suave
entre os nossos lábios
deliro… dança no ar…
deliro… vagueio… deambulo…
em imagens intemporais…

e quando chegares toca no meu rosto
e quando chegares olha nos meus olhos
e quando chegares afaga o meu cabelo
e quando chegares sorri…
e quando chegares beija o meu rosto
e quando chegares beija os meus lábios
e quando chegares sem aviso… ama-me!

Bruno Ribeiro
Lx. 7.Março.007

domingo, janeiro 13, 2008

Uma curta-metragem

photo: Just as long as I stay_heliz


‘deixo o rio beijar o meu corpo despido
e o vento acariciar o meu rosto...
diluindo as lágrimas que sinto;
deixo o sol secar o meu corpo
e a brisa acarinhar o rosto...
erguendo um pequeno sorriso!

Sento-me num banco de pedra
E imagino mil filmes
Espalhados pelo rio...
Pelos bancos do jardim, pelas árvores...
Que navegam no desconhecido
Imagino-me como actor principal
Em imagens de sonhos idos
Rasgados pelo desenho de um relâmpago.

Olho para a calçada...
Para crianças a brincar,
Para velhos a passear,
Para casais a namorar,
Para cães a ladrar,
Para o céu a chorar...
E sentado fico
A imaginar filmes de tempos idos...

Bruno Ribeiro
Lx,12.Fev.007

segunda-feira, janeiro 07, 2008

por fim!

photo: does he know how i speak_Heliz


será este o último acto?
enquanto aguardo pelos raios de sol
rasgantes neste velcro negro.

será esta a última página?
enquanto o teu beijo se solta
em direcção a mim, aos meus lábios.

será este o último capítulo?
enquanto luto contra uma tela branca
para poder esboçar um sorriso.

será este o último episódio?
em que o afastar do teu corpo do meu
tomará uma rota sem retorno.

será esta a última música?
do pequeno concerto que nos embala
enquanto os meus olhos perdem os teus.

será este o último suspiro?
do desejo que nutro
paixão que se apaga de mansinho.

Bruno Ribeiro
versos no espaço e no tempo

domingo, dezembro 30, 2007

a partida (parte I)

photo: o tempo passou por aqui_daniel oliveira


hoje é o dia da minha partida
iço as velas dos meus sonhos,
sinto a voz do vento, o calor do céu!
olho à imensidão do mar,
com os pés na areia molhada.
levanto a âncora e parto…

não posso olhar para trás,
para os rostos que me vêem partir
para as lágrimas que banham a paz
para as mãos a acenar
e as últimas palavras, sem adeus!

hoje é o dia da minha partida
em que ergo o olhar à esperança
de içar a coragem e vencer os medos.
olho à imensidão do teu olhar
sinto a melosidade da tua voz
e delicio-me nos teus sorrisos.
e parto…

Bruno Ribeiro
PMS, 9.Março.007

quarta-feira, dezembro 26, 2007

jardim dos poetas

photo: simplesmente, choro!_Daniel oliveira


são pétalas negras com gotas de sangue
as lágrimas cravadas no coração!
são nenúfares encrostados
nas doces tentações dos desejos
são hipotéticas metáforas
derramadas pela tinta desta caneta…
ao som de um piano sem teclas!
são imagens de um filme a preto e branco
- imagens do passado
são folhas caídas que se desfazem no chão
- decomposição do meu ser!

mais um passeio pelo jardim das memórias
mais uma viagem pelo templo dos desejos


Bruno Ribeiro
Lx. 2728.Fev.007

quarta-feira, dezembro 19, 2007

devaneio imperfeito

photo: não sei quantas almas tenho_GABA


batem as asas em repouso,
um olhar fatigado em direcção ao chão
foco de luz ténue sobre o pensamento
folhas caídas, lágrimas derramadas,
agarrado ao pouco que há para agarrar…
procura-se a esperança da pouca que existe
na mais remota e árida caverna
uma pequena luz…

é noite, sem qualquer luz artificial!
o luar não existe,
as estrelas não brilham
e os barcos afundaram-se…

entrego o meu corpo ao devaneio
enquanto o meu ser vagueia por aí
cada um para seu lado e perdidos…


'e se um dia a felicidade bater à porta
só espero que uma das partes esteja do outro lado…

Bruno Ribeiro
Lx.30.Jan.007

sexta-feira, dezembro 07, 2007

in the night, about a book

photo: do livro I_Heliz


pedras soltas,
como o pensamento que vai e vem
deslizando por baixo dos meus pés,
páginas soltas de um livro.
perco-me a olhar sobre o Tejo
à procura do mar… do inexistente!
quantos ecos não evocados…
solidão entre calçadas
perdido entre muralhas
vagueando por entre focos de luz
linha de sombras que me escondem o corpo.
beijo a curiosidade do luar
sentado na esplanada, com o meu olhar,
serpenteando as tormentas do pensamento
enclausurando o sentimento
que solto através das palavras
na ponta desta caneta
tacteando a superfície desta folha
amarelada do tempo, da solidão…

‘percorro as ruas e as travessas
com o som dos meus passos como pano de fundo,
saltitando entre as luzes dos bares
abertos noite dentro no bairro alto
canto a mentira de uma alegria
enquanto entretenho o pensamento no nenhures…
sorrisos de pessoas temperadas pelo álcool,
cheiros de mil cheiros,
rostos vagueando entre portas,
corpos dançando, bailando, mentindo…
à procura de quem não são!
embrenho-me num qualquer poiso
e observo as pessoas que ali existem
beijos perdidos no ar
misturados com o fumo dos cigarros,
copos vazios pelo tempo
peço algo que nem sei e saio
e corro no meu ser
as efemérides da vida!
voo pela memória, deambulo…
danço ao som das luzes e perco-me
e quando dou por mim,
volto para aquela cadeira na esplanada junto ao Tejo
e repouso o olhar no amanhecer
acordando para um dia que me espera só
sem álcool nas veias
porque o sal das lágrimas
consome-me noite e dia!

Bruno Ribeiro
Lx. 1.Fev.007

segunda-feira, dezembro 03, 2007

amanhecer com tons laranja

photo: a caminho de órion_Heliz


mais uma noite sem ti
quebrada pelo teu beijo ausente
apenas o olhar tranquilo
_____de um nascer do sol…
pintando o céu de laranja
diluindo-se na imensidão dos meus desejos
o meu olhar perdido
_____naquela pintura natural
faz-me levantar e erguer
batendo um ritmo inconsciente
em que a sombra ainda adormecida
beija a solidão jazida…

os acordes de uma manhã primaveril
fazem-se ecoar nestas ruas
em que o teu passear não existe
acordes de um qualquer violino
_____de uma qualquer janela
_____de um qualquer sentido
_____de um qualquer olhar…

pinta em mim os teus desejos
e solta-te nesta balada silenciosa
em que os desejos se tornam realidade…
dança nos meus braços
e olha nos meus olhos em silêncio…
para que não desvaneças nos sonhos!

Bruno Ribeiro
Lx. 12.Março.007

quinta-feira, novembro 22, 2007

photo: noir total _ Tuta

Gélidas as palavras da solidão
Que trepam pelo meu ser
Como ervas daninhas
No crepúsculo da tua ausência…

Bruno Ribeiro
Lx. 29.Março.007

domingo, novembro 11, 2007

O fim do nosso livro?

photot: a tragédia I_Heliz

Sorri para mim...
Olha nos meus olhos e sorri!

Dança para mim...
O teu corpo nas minhas mãos e dança!

Olhar sedutor, sorriso terno e alegre...

Pequenos nadas,
Que o meu olhar precisa de beber
Para o meu rosto fazer dançar um sorriso!

Pequenos esboços de felicidade,
Aquela página que ainda não abri,
Pequenos esquiços de paixão
Aquela margem que se diluiu...
Pequenos nadas sem resposta...

Simplesmente porque fechaste o livro!

Bruno Ribeiro
PMS, 3.Fev.007

sexta-feira, novembro 02, 2007

o vazio do silêncio, esboços de solidão

photo: encontro-me no silencio do teu respirar_ daniel oliveira

peregrino dos meus pensamentos…
bate em mim um novo ser,
ou pelo menos, um ser
que apenas estava escondido e que se revela
bate em mim um novo pulsar
novas formas de ver o que envolve
novos sentidos, novos rumos…
só os desejos e os sonhos se mantêm!

vagabundo do meu corpo,
vendo a alma ao desbarato
vendo o espírito, entrego-o…
entrego-me… vendo-o…
sem saber com que objectivo…
sem saber qualquer destino…

novos sóis que encontram em mim
palavras em versos que não se conjugam
apenas derramam pequenas lágrimas de sangue
novas luas em noites vazias
que procuram a vazia sombra da solidão
de pequenos esboços do meu ser!

sento-me num banco de pedra
frio como a fria solidão
estendo o olhar e os dedos
e perpetuo o meu silêncio
num velho piano esquecido.


Bruno Ribeiro
PMS, 11.Março.007

terça-feira, outubro 23, 2007

Vagens (d)escritas

photo: nas lagrimas seco a minha dor!_daniel oliveira



No silêncio destas páginas,
Remeto esquiços em formas de palavras
Do meu pensar e sentir,
Vagens da vida,
Que se estendem na palma da mão!

São fragrâncias da solidão
Do recordar o que recordo
Sem pensar no que sinto
Sentindo o que penso…

Breves suspiros entoam
Por entre os sons nocturnos
Pequenos prazeres concedidos
Por entre as recordações que recordo
E que vagueiam no meu pensar!

Estende a mim a tua mão…
E faz-me percorrer o trilho dos teus passos
Deixados na terra molhada
Dos momentos vividos…
E leva-me contigo de mão dada
Através desse trilho pintado
Debaixo do teu olhar, sorrindo
Uma qualquer palavra
Que os teus lábios soltam…
À espera de um beijo meu!

E nos desejos que estas páginas revelam
Remeto-me ao silêncio das palavras
Escritas com tinta negra
Pela saudade sentida
Através das palavras descritas
Da gélida sensação da tua ausência!


Bruno Ribeiro
PMS, 6. Abril.007

segunda-feira, outubro 15, 2007

vazio

photo: olhas-te _ .k&p

Um banco do jardim sem gente…
Baloiço sem esperança.
Barco à vela sem vento
E circo sem palhaços…
(palhaço a preto e branco)

Uma casa sem vida,
Árvore seca sem folhas
Caídas no chão, esmagadas…
Dia sem sol, sem chuva, sem nuvens…
Noite sem estrelas, sem lua
(apenas o uivo de um lobo à lua negra cheia)

Flor murcha, vinil riscado,
Pétala caída, lágrima derramada,
Calçada de carvão, seda preta,
Olhares vazios…
Sorrisos tristes, esperanças apagadas…

Jardim sem verde, só cinza…
Praia sem areia ou mar…
Esplanada no deserto sem sombra,
Sombras de vultos negros…
Candeeiros de luz escura…
Palavras em silêncio
Cama de espinhos…

Poetas de palavras secas,
Pintores sem telas,
Música sem acordes…

Sento-me no banco do jardim molhado
Da chuva de cinzas,
Derramadas pelo sol… murcho,
Criança de olhar cabisbaixo
Com roupas esfarrapadas, sem brinquedo,
Pontapés numa pedra solta da calçada,
Ladrar rouco de um cão mudo,
Olhares de gentes estranhas, olhar vazio,

Sozinho no seio de uma multidão
Deambulando por ruas sombrias,
Perseguido por uma pequena nuvem negra,
Carregada de facas e espinhos,
No chão brasas incandescentes,
Os meus pés? A sangrarem…
Espelho sem reflexo,
Sorriso forçado…
Mão dada com a própria sombra,
Desabafo surdo esperança perdida…
A última lágrima despida…
O último fôlego… adeus!

Bruno Ribeiro
Lx. 28.Out.06

sexta-feira, outubro 12, 2007

sussurro!

photo: Eve of Seduction _ Elsio Arrais

‘sussurra em mim os versos do teu corpo
enquanto te penetro na alma com o olhar
e devagar… toca-me com as tuas mãos
e pinta o meu corpo com a tua saliva!


diz que me desejas…
preenche o meu ego com palavras doces
e varre o meu ser com o teu cabelo…
sente os meus beijos
como pétalas que deslizam na tua pele
enquanto a melodia das nossas fragrâncias se cruza

sussurra mansinho a poesia do teu sentir
e sem temer demonstra que me desejas
fuzila-me com o teu olhar
pois não o receio e até o anseio…
e com ele desliza sobre mim
ao mesmo tempo que as mãos o seguem!
os meus lábios que se aproximam dos teus
em palavras silenciosas de te querer
sobre o olhar misterioso da lua
única testemunha e nossa cúmplice!

‘e vagueiam em mim desejos e sonhos
que derivam sobre o mar da poesia
soltos como palavras que se amam
debaixo da pálida folha de papel…
e no teatro dos sonhos de um livro
derramo os versos do meu olhar
sentir o vibrar do meu ser
como o sentido acorde de um violino
que derrete o frio da escuridão
através do esboço do teu olhar!

no silêncio da escuridão,
quando todos os outros seres dormem
segreda-me o teu gemer de prazer
enquanto a melodia do teu suspirar
descreve o tango que danças sobre mim
despenteando o ar com os teus movimentos
e ao sentir a brisa do teu respirar
anseio os teus lábios e o teu olhar…

‘sussurra em mim os versos do teu corpo
enquanto te penetro na alma com o olhar
e devagar… toca-me com as tuas mãos
e pinta o meu corpo com a tua saliva!


para não nos perdermos apenas na página do prazer
deixamos os corpos despidos e insaciados
colados um ao outro… cúmplices
e esculpimos a dança eterna
da paixão silenciosa entre os nossos seres
descrevendo um livro de fantasias
que se encontram em cada nosso olhar!
e com os teus lábios silenciosos
diz-me que me desejas com um beijo!

Bruno Ribeiro
PMS, 23.Março.007

sexta-feira, outubro 05, 2007

Ilusões


Acorda-me com um beijo,
Acorda-me deste sonho que não quero,
Acorda-me… diz-me que foi só pesadelo…
Deixa-me olhar-te e retribuir com um sorriso,
Com outro beijo…

Ainda sinto os teus lábios carnudos e macios
Abraçar-me nos teus sorrisos…
Ainda sinto o teu perfume espalhado
Em mim…

Deixa-me olhar-te…
Pois não me canso de olhar para ti
Nunca me cansarei…

Acorda-me…
Desta utópica realidade que não desejo
E sorri-me com palavras doces…
Deixa-me embrenhar-me nos teus cabelos
E pegar o ar de mãos dadas…
Deixa-me nadar no teu olhar,
Pois jamais deixarei de me cansar de te olhar…

E em cada instante sem ti morro…
Para de seguida renascer com esperança
Para depois me afogar em lágrimas…


Bruno Ribeiro
Lx. 12.Nov.06

terça-feira, setembro 18, 2007

Num olhar... um beijo


Beijo entre olhares,
Uma dança de sentimentos
Mãos que se cruzam, que se amam,
Corpos que se tocam, que se revelam...

Suavidade...
O toque de pele com pele...
Mistura de fragrâncias
Esquissos de desejos...

Beijo entre olhares,
Uma dança de sentidos,
Sorrisos de cumplicidade...
Mãos que se amam, que se cruzam
Corpos que se beijam, que se diluem...

Suavidade...
O beijo no teu corpo
Tua mão no meu
Olhares que se penetram...

Bruno Ribeiro
Lx.17.Fev.007

terça-feira, agosto 21, 2007

Solidão – um silêncio sem rosto




‘Vou embalar o corpo entre os lençóis
No vazio da minha cama...
No frio da solidão...
Que me abraça noite após noite
Num silêncio sem rosto
Um teatro sem actores
Uma tela sem cores...

Sentir a pele da almofada
O respirar manso junto ao meu rosto
O sussurro...
Faço uma pequena viagem pelas memórias
Pelas recordações doces e amargas...
E deixo-me embalar pelos sonhos
Adormecendo agarrado à almofada
Por vezes sorrindo lágrimas...

Quando acordo,
A mesma almofada beija-me o rosto
A mesma solidão abraça-me
O mesmo silêncio, o mesmo vazio...
Olho para um espelho
E vejo o retrato de um rosto pincelado a negro
Riscado a carvão
E despenteado embalo para um novo dia!

Bruno Ribeiro
Lx,23.Fev.007

terça-feira, julho 24, 2007

Sabes o que é amar?

peregrino dos meus pensamentos…
bate em mim um novo ser,
ou pelo menos, um ser
que apenas estava escondido e que se revela
bate em mim um novo pulsar
novas formas de ver o que envolve
novos sentidos, novos rumos…
só os desejos e os sonhos se mantêm!

vagabundo do meu corpo,
vendo a alma ao desbarato
vendo o espírito, entrego-o…
entrego-me… vendo-o…
sem saber com que objectivo…
sem saber qualquer destino…

novos sóis que encontram em mim
palavras em versos que não se conjugam
apenas derramam pequenas lágrimas de sangue
novas luas em noites vazias
que procuram a vazia sombra da solidão
de pequenos esboços do meu ser!

‘sento-me num banco de pedra
frio como a fria solidão
estendo o olhar e os dedos
e perpetuo o meu silêncio
num velho piano esquecido.

Bruno Ribeiro
PMS, 11.Março.007