sexta-feira, fevereiro 08, 2008

paz absorta!

photo: aqui_.k&p


deslizar rude,
como um raio que rasga a tela da noite
desta lágrima que me cai.

cega,
desliza pelo meu corpo rasgando-o
folha de um livro versado,

suada,
porque corre sem parar pelo rosto
enquanto a chamo

perdida,
como o meu andar ignorado
entre a neblina do desconhecido

corajosa,
porque cai, atira-se ao chão
como uma folha outonal…

e um sorriso a apagava
e um olhar a secava
e uma mão a tirava
_____de um qualquer meu olhar vazio!


e deixo-me absorver pela página da música
agarrado ao que tenho…
próximo de mim – o ar!
e deslizo pelo olhar da noite
passeando a minha sombra
erguida pela imensidão da vida!
_____imensidão ténue e frágil…

Bruno Ribeiro
Lx. 11 Maio. 007

8 comentários:

Som do Silêncio disse...

É...
Fossem as palavras lábios para travar essa lágrima...
Fossem as palavras olhos para ler o livro que o teu corpo me mostra...
Fossem as palavras braços, para parar essa corrida e deixar-me assim...abraçada!
Fossem as palavras luz...e nunca te sentirias perdido...
Fossem as palavras...palavras corajosas para te dizer o que quero e que não digo...

Sou então música!
Sou então ar!
Sou então noite e sombra!

:)
(devaneio em alta escala)

Beijo terno Bruno

Carol Barcellos disse...

Que lindo poema! Pelo que li nesse em em outros posts, teus poemas tem uma musicalidade única. Aprecio muito quem tem essa habilidade! Estás de parabéns!!!

Beijos doces cristalizados!!!

Azul disse...

Dear Bruno!

embora passe sempre para te ler, as palavras andam "teimosas" por estes lados... o estado de alma não ajuda...

Este poema... podia muito bem ser "assinado" por mim...

Já disse não disse?! Sinto uma estranha paz... quando te leio...

Beijo Meu
Bom fds
Azul

nuvem disse...

Como sempre, lindíssimo.

Tens uma prenda minha na nuvem.

Beijo :)

gata disse...

Não tirava não, porque se uma qualquer mão a tirasse, o teu olhar não seria vazio, tendo em si o reflexo dessa mão....

Twlwyth disse...

"agarrado ao que tenho"

Gostei muito deste deslizar melancólico.

Não gostas de dourado? Nunca mais apareceste. :(

Beijo

Twlwyth disse...

Espero que corra tudo bem (nos teus afazeres).

Beijo de boa sorte

Sara Imaginário disse...

A tristeza corta a alma dos que sofrem e transporta o olhar para o vazio abstrato dos que partiram para transcendentais paragens idilicas dos sentidos do nosso amor que se foi e que nos sangra a alma e dilacera o ventre e somos somente lágrima de um corpo quase doente.