photo: unknown
deixaste-me,
neste meu pesar
coberto pelo véu do desconhecido
plantado num tempo ido
em que me esforço para respirar!
perdi-me,
neste turbilhão de sentimentos
desnudado de um sentido qualquer
perdido que estou, não sei sequer
porque ainda vacilo, neste meu tormento!
Bruno Ribeiro
PMS. 23.Junho.008
segunda-feira, agosto 25, 2008
sei lá
tertúlia sentida de
Unknown
às
15:22
10
breves tertúlias
quinta-feira, agosto 21, 2008
desencontro
photo: name is hidden_poacher
neste desencontro,
entre os esboços nevrálgicos
da sombra esquecida
deixada numa parede qualquer
emoldurada,
e os versos do meu corpo
rasgados por entre as margens
das letras rasuradas na pedra
galgo muros e obstáculos
que me fazem abrandar
neste percurso, em que a cada momento
mais uma pequena vitória.
me faz saborear o meu
continuar…
abrando, mas não desisto.
do que sou!
Bruno Ribeiro
Porto. 31.Maio.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
15:32
6
breves tertúlias
sábado, agosto 16, 2008
em silêncio… e para ti!
náufrago do tempo!
guardas contigo o mapa da vida
no relevo do teu rosto
na alma do teu olhar
no cansaço das tuas mãos…
mas ainda tens força
para esboçar pequenos sorrisos
que guardo na tela da infância!
só tu me vês
passeando por entre as nuvens
passeando como tu gostavas
por aí e ali…
o teu jeito elegante,
de fato vestido,
gravata traçada,
lenço ao peito,
chapéu composto
e os passos… esses velhos gastos
ao ritmo de uma bengala!
guardo na memória,
as nossas conversas,
os teus sinceros sorrisos,
os teus gestos…
memórias gravadas no coração!
[à memória do meu avô!]
Bruno Ribeiro
Lx. 08 [mas devia ser noutro lugar noutro tempo]
tertúlia sentida de
Unknown
às
00:29
9
breves tertúlias
terça-feira, agosto 12, 2008
(re) ajo
ajo,
entre os restícios dos ventos
de deuses outrora venerados
e as inconstâncias das estrelas,
pauta dos meus versos
que guardo sem saber…
apenas relembrados, quando pego
neste pena sem tinta
e escrevo neste caderno sem folhas
que é…
a paginação do olhar
que te procura,
nas marés vazias…
do lembrar e relembrar
o que finjo ter esquecido
por entre a cinza das horas!
Bruno Ribeiro
Porto. 31.Maio.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
19:28
2
breves tertúlias
sexta-feira, agosto 08, 2008
nas entrelinhas da vida
photo: unknown
danço
nas entrelinhas da vida
versos nostálgicos
de passos vagos
o semblante, na calçada gasta
destes meus gestos cansados
dança do meu próprio ser.
em que partilho com as estrelas
o esverdeado olhar
corrido com a lágrima
que brota
em esquiços de carvão!
Bruno Ribeiro
Porto. 31.Maio.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
17:09
6
breves tertúlias
segunda-feira, agosto 04, 2008
pousando
photo: nenhuma aragem na manhã tardia_heliz
pouso naquela estante
páginas da minha vida
sentida e vivida
em que guardo
e resguardo
os tempos esquecidos
pouso naquela parede
imagens do teu olhar,
dos teus lábios, do teu rosto
imagens serenas
que me tranquilizam…
imagens de ti…
pouso naquele gira-discos
músicas que nos entusiasmam
e nos recordam
dos tempos idos e vindouros
que nos aninham
entre a concha das mãos
pouso naquela janela
o meu rosto, o meu ser
na esperança de te ver subir a rua
com um desses teus vestidos
que me seduzem…
à espera de sorrir
pouso naquela porta
uma vontade de a abrir para ti
uma flor guardada no chão
postal dos meus sentidos
que se resvalam ao te ver
numa paixão que se liberta
espelho do teu meu olhar
pouso naquela cama
momentos de um ontem
que se prolonga entre os outros dias
momentos em que choramos
em que nos rimos…
e os segredos revelados
e a intimidade floresce
enquanto damos as mãos…
pouso naquele galho
perdido à beira-mar
palavras de te querer ver uma vez mais
em que tu olhas para dentro de mim
enquanto sorrimos…
num aproximar apaixonado de um beijo
Bruno Ribeiro
PMS. 29.Junho.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
10:56
6
breves tertúlias
quinta-feira, julho 31, 2008
marioneta dos sentidos
photo: nós, os emparedados_heliz
até aos confins
vagueei para te esquecer
procurei perder as tuas recordações…
mas elas perseguem-me, torturam-me.
até ao fim do mundo…
deambulei…
vazio de pensamentos
cheio de pressentimentos
espelho de sentimentos
........................................................– no meu olhar
procurei perder-me de ti
procurei perder o que sinto…
mas continuas sempre aqui tão presente
neste sentimento que me atormenta
nesta fonte de inquietação…
tentei fugir destas amarras que me sugam a vida
tentei arrancar-te do meu corpo…
não consegui!
os meus passos pressentem os teus
neste e em qualquer momento
entre os confins do presente
essa linha ténue
que separa o passado do futuro
Bruno Ribeiro
PMS. 23.Junho.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
12:03
9
breves tertúlias
segunda-feira, julho 28, 2008
sem saber, aguardo-te!
photo: não sei de que é que estou à espera..._mariah
espero,
e não espero
que se dissolva
esta espera,
que não me trás
qualquer vislumbre,
de ti!
aguardo
num qualquer lugar
perdido, que estou
enquanto espero,
sem me esperar
convencido
que te veria
neste mesmo lugar!
embriagado
pelo nevoeiro
que me persegue
invisível,
fico sem saber que estou
nesta espera…
aguardando por ti
sem me esperar
sorrindo!
entre sombras
de desespero
que estou…
sem saber.
Bruno Ribeiro
PMS. 23.Junho.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
11:52
11
breves tertúlias
sexta-feira, julho 25, 2008
espectro nocturno
photo: old vilnius_martis
neste espectro do passado
todas as histórias que me parecem contadas
parecem-me histórias de qualquer coisa
em que a verdade deambula ente as nuvens
e das maiores mentiras tu estás lá
presente como a luz e a sombra
presente como o sol e a lua…
sempre presente…
com tantos mistérios
que me fazem sentir desesperado
perdido entre as mentiras que me contas
e as verdades do que sinto…
neste espectro do presente…
todas as histórias que me lembro contadas.
são histórias de qualquer coisa
em que a verdade é tão ténue
como a brisa no meio de uma tempestade
que deambula entre as bolas de sabão
e das maiores mentiras…
tu estás lá…
sem qualquer culpa do que sinto.
sem qualquer culpa desta lágrima esculpida
que me segue e persegue
neste espectro passado
em que as histórias são vãs…
a verdade…
é que continuas no meio da história
dos meus sentimentos
dos meus pensamentos…
da minha saudade
e da minha vontade…
no seio do que tento esquecer
guardado no nenhures perdido
em que me tento perder… de ti!
bruno ribeiro
pms. 23.junho.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
11:30
10
breves tertúlias
terça-feira, julho 22, 2008
deslizo entre as tábuas do meu sentir
photo: abandoned, chair 1_garnoo
deslizei para um condomínio de pó
em que a tinta se transformou em teia de aranha
e a madeira… pequenos passos do tempo esquecido
de náufragas intempéries do meu ser.
lágrimas dos restícios sentimentos
supostamente de tempos idos
supostamente esquecidos…
deslizei por uma cadeira perdida.
numa qualquer sala das recordações
guardadas num qualquer lugar…
perdida entre escombros do meu ser
que está neste meu sentir
supostamente já guardado algures no tempo
supostamente perdido nesse algures…
deslizei entre as sombras
varridas pelo vento que já não sinto
trazer a tua voz, espalhar o teu perfume.
perdidas entre a minha sombra,
vagueando nesta sala
em que me encontro sem janelas
supostamente deixada para trás
supostamente esquecida…
deixo-me ir,
sentado nesta cadeira vazia
do vago pesar que me cobre
entre os olhares distantes em que te procuro
e estes que deito sobre meus pés
supostamente a caminhar algures
supostamente longe deste lugar!
Bruno Ribeiro
PMS, 23.Junho.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
14:08
9
breves tertúlias
sábado, julho 19, 2008
beijo frutado
photo: são tantos os silêncios da fala..._mariah
partilho pelo teu corpo
o olhar que te despe
no silêncio das mãos
que te percorrem
e dançam pelas tuas curvas
entre versos de desejo
melodia de um beijo
que te atravessa
nesta paixão louca
em que transborda
pelo meu corpo…
segue esse trilho traçado
pela fruta da paixão
que beija
a pele despida
que te espera
neste corpo deitado!
Bruno Ribeiro
LX. Junho.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
13:13
6
breves tertúlias
quarta-feira, julho 16, 2008
até já
photo: gaia-I_fernando figueiredo
quão doce é esse teu olhar
que me branda num sossego
o sentir indescritível
dessa paz que me atravessa
e percorre
no âmago do teu beijar
quão terno esse olhar
que me perscruta
a alma jazida
entre os lençóis do nosso leito
que me atravessa
e escuta
as palavras do meu sentir
não deixo
que o sol se levante
e a manhã se ponha
sem te deixar um sorriso
mais que o meu próprio
olhar sorridente
de te ver e ter
ali tão perto
rabiscos deste nosso beijar
que se estende noite fora
vago.
na vontade de te olhar uma vez mais
antes de saíres dessa porta
que separa os nossos tempos
distantes que estão
até a um novo anoitecer
que a nós pertence
até já!
Bruno Ribeiro
PMS. 29.Junho.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
12:13
13
breves tertúlias
segunda-feira, julho 14, 2008
ser o que sou!
sou um suspiro,
segundos passados nasço no esquecimento;
sou um murmurar
de palavras surdas
que assim prolonga o silêncio;
sou uma brisa que luta contra uma tempestade,
sem forças, sem ar, sufocado...
sou uma lágrima,
que pinga num rio turbulento,
sou um eco,
de um sentimento destroçado;
sou uma pétala,
de uma flor negra, negra como o sombrio da alma;
sou a palavra esquecida,
sou a chama que já não arde,
sou o sol que já não brilha,
sou um ser perdido no espaço e no tempo,
sou a vitrina da tristeza tornada humana.
Bruno Ribeiro
Coimbra, Dezembro 2000
tertúlia sentida de
Unknown
às
14:53
3
breves tertúlias
sábado, julho 12, 2008
deixando-me levar...
photo: oriana_heliz
embrenho-me nos ventos do norte,
sou pétala, sou folha de outono,
deixo-me ir para onde o vento me levar...
já não há vida no meu coração
e a alma transformou-se em pedra.
levantei a taça de vencido
e fiz jus o vencedor...
nos meus olhos,
nascem vagas de negras lágrimas,
e a sombra da lua e do sol
espelha-se sobre mim.
sei que aqui e ali não sou feliz,
por isso parto para a aventura...
entrego-me ao mundo,
como o cordeiro se entrega ao lobo,
levo a guitarra sem cordas nas costas,
papel rasurado e uma caneta virgem,
levo o meu corpo
embebido em sangue, suor e lágrimas,
cavo sementes de poesia
e desatino a dor que me acompanha.
ergo a fronteira da vida e da morte,
sou condenado no tribunal do sofrimento,
onde o diabo é o meu advogado,
onde os seus discípulos riem
pela pena em mim imposta,
penitenciado, acusado e torturado,
ficam com o que resta de belo,
com actos impunes, eles vencem... uma vez mais.
continuo a viagem a que me submeti,
caminho descalço pelo tapete em brasas,
pelo passeio de espinhos...
mas, não é esta a dor que me tortura...
peço para serem clementes
e porem um ponto final...
mas algo surge no horizonte,
uma borboleta, uma flor, um anjo,
que me diz, sem eu merecer,
para acreditar em mim...
fico estatelado e tento perceber
porque me diz, o que me diz e quem é...
interrogo-me se será mais um truque
do meu querido advogado,
mas não... não sei... parece ser amiga...
dispo a minha nudez,
aperto a minha guitarra, pronta a tocar (sem cordas)
levanto a caneta, estendo o papel
e tento fazer algo... uma canção...
assim me iludo... me perco...
nas pétalas do condenado, nas amarras do inocente
e sigo sem saber por onde andar...
serás tu meu anjo que me irás encaminhar?
Bruno Ribeiro
Março/00
tertúlia sentida de
Unknown
às
15:11
8
breves tertúlias
quinta-feira, julho 10, 2008
o vento
photo: o entendimento das almas_heliz
escrevo nas folhas das árvores
a minha poesia.
proíbo o meu esquecimento
e obrigo a lembrança
dos meus feitos, das conquistas,
enaltecidas aos apóstolos do vento
e às sereias do mar,
aos diabos do céu
e aos anjos do inferno.
cravo uma harpa no coração
e uma faca nas veias,
para o meu sangue correr nos rios,
beijar as lagoas e passear nos oceanos.
quero ser o mel das afeições
e o brilho das relíquias
que se espalham no sal do teu rosto.
eu sou o comandante dos céus
e o varredor das ruas,
eu sou aquele que sentes e não vês,
quem te beija sem proferires palavra,
aquele que te arrepia e acaricia.
eu sou a destruição e o amor,
a verdade e a traição
e não pertenço a ninguém...
senão à minha paixão, ao meu amor...
tu podes saber quem sou,
mas, nunca saberás o que sou.
Bruno Ribeiro
2000
tertúlia sentida de
Unknown
às
13:40
6
breves tertúlias
sábado, julho 05, 2008
rostos de pedra
photo: a vida é só a vida_heliz
este é o meu rosto…
desenhado com rugas de devaneio
olhares escondidos…
este é o meu olhar…
pintado em degradé de cinzas
rosto perdido…
‘desde o dia em que te vi partir!
este é o meu trilho
traçado por uma lágrima perdida
por onde os meus pés me carregam…
este é o meu viver…
e porque o deixa em sarilho
sem uma qualquer saída.
‘desde o dia em que me dei conta que partiste!
e porque não desembarco deste sentimento?
que não tem qualquer razão de ser
e porque sempre que dou um passo em frente
me fazes dar mil e um de retroceder
este é o meu rosto…
pálido e petrificado
sem qualquer aspiração a sorriso
cansado de ser lavado a sal
‘liberta-me destas amarras…
frio,
sinto frio…
o sol não me aquece
e, tenho frio…
guardo aquilo que deveria esquecer
‘e acredita que quero esquecer,
mas não consigo…
............................................ [tens nas tuas mãos parte de mim]
Bruno Ribeiro
tertúlia sentida de
Unknown
às
12:34
12
breves tertúlias
quinta-feira, julho 03, 2008
ser
photo: why can´t i be you_avalon
neblina do ser que ansiava
outrora, do que fui e seria
ser, por quem ser
o que desejava ser e ter.
tendo, nas mãos (vazias) abertas
um rasto do perfume
que um dia tive…
não penso como seria
se tivesse continuado a ser…
apenas sinto nas margens da solidão
as paredes emancipadas
da inquietude do meu ser
que, não sabe ser,
o que agora sou… vazio!
cortina ténue do invisível ser
que ao teu olhar não sou
o ser que desejaria ser.
tendo, nas mãos (vazias) abertas
o ser que vagueia
entre a brisa perfumada
do ser e ter, o sorriso inconsciente
da necessidade de ser o que fui!
mas não penso nesse ser passado,
apenas sinto nas margens da solidão
os ponteiros vagos da penumbra
escuridão de qualquer ser
que desejasse ser outro ser e ter.
e não este ser
que agora sou – vazio da solidão!
e não penso em qualquer outro ser
que não este que sou,
e descobri nas mãos abertas e não vazias
que serei sempre aquilo que sou
e que o tempo me fizer ser
e o que quiser ser,
lutando pelo que serei
enquanto sou quem sou!
e nessas margens das recordações
fui pedaços do que sou
sem vergonha, sorrindo!
e contigo ou sem ti, serei quem sou!
Bruno Ribeiro
30.Abril.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
13:53
10
breves tertúlias
terça-feira, julho 01, 2008
de regresso
perdido,
entre mares e mitos
entre ventos de piratas
e areias que escondem segredos…
ausente,
temporariamente deste mundo
em que os versos bêbedos
de dores traídas
vasculhadas no mar do meu ser!
palavras esquecidas,
guardadas e não visitadas
relembradas
no silêncio nocturno
crepúsculo da tua ausência
amanhecer do meu olhar tristonho…
agora vivo,
mais do que sobrevivo
e gozo o momento
em que te situas no esquecimento
ausente, entre segundos temporários…
Bruno Ribeiro
Punta Cana – Lx. 1Abril.008
tertúlia sentida de
Unknown
às
12:04
7
breves tertúlias
quarta-feira, junho 25, 2008
ainda dói…
photo: em que espelho ficou perdida a minha face_mariah
‘preciso do teu olhar
para repousar o meu…
perco-me nas palavras que te quero dizer
sem saber quais são
vislumbro o silêncio das mesmas,
sem as poder dizer,
pois a tua presença não está junto da minha!
apenas o vazio de estar com a sombra
somente a imaginação de te olhar
nas lembranças,
que teimosamente teimo
em não conseguir esquecer
bem tento!
mas no silêncio…
é a tua voz que ouço..
estás longe, nem sei quanto
mas na dor estás tão próxima.
és a dor que me faz chorar
e que eu não consigo apagar!
dor…
porque o que sinto
é grande e dói!
Bruno Ribeiro
Lx. 6.Outubro.007
tertúlia sentida de
Unknown
às
15:22
11
breves tertúlias
domingo, junho 22, 2008
tango
photo: unknown
em resposta a um desafio lançado... pela Naela
tango – visto por ela!
[ nesta pauta
em que enquadro
desenhos do teu ser
balada do meu viver,
guardo recortes
lembranças na seda
que cobre o teu beijar
na fogueira da paixão! ]
percorro o teu olhar selvagem
e da tua mão
surge o convite
da dança da paixão
através de uma rosa vermelha
cor dos lábios que te anseiam
chama ardente que me brota!
tornamos nosso aquele palco
entre passos que nos afastam
outros tantos que nos aproximam…
cravo as unhas nas tuas costas
enquanto enrolo a perna à tua perna
olhas para mim,
violentando-me a alma
estremecendo meu peito…
gestos firmes, os teus
que me dominam
nesta tela da paixão
em que olhares estranhos
perscrutam a arena tomada nossa!
rasgo a tua camisa
espalhando no chão
fragmentos do teu corpo…
com o desprezo que finjo ter!
olhares felinos de desejo…
colados…
aproximas os teus lábios dos meus
entre rodopios que me fazes tomar
vagueias a tua mão
na pele que te anseia
e antes do beijo que tanto espero
atiras-me ao chão
de seios despidos
a música termina
viras-te de costas
e atiras-me a rosa vermelha!
espero pelo próximo passo
sem olhares indiscretos...
tango – visto por ele!
[ nesta pauta
em que enquadro
desenhos do teu ser
balada do meu viver,
guardo recortes
lembranças na seda
que cobre o teu beijar
na fogueira da paixão! ]
estendo da mão
uma rosa vermelha
cor do sangue que fervilha
deste coração que te ama
convido-te para dançar
e num gesto consentes
que me aguardas…
esboçamos no chão
os passos que nos desnudam
entre olhares de sedução
percorro pelas tuas costas
a minha mão que te procura
e num gesto firme
deitas-te sobre o meu braço
revelando que me confias
o desejo do teu corpo.
neste serpentear de emoções
em que a pista de dança
se torna nossa,
olhares desconhecidos e ansiosos
revelam-se imóveis…
perante nós!
o teu vestido justo
rasga-se perante o meu olhar
mostrando pequenas telas
da tua pele que me chama!
e antes que a música termine
entre o despontar do desejo
rodopio-te… perante mim
vagueio o teu corpo com a mão
aproximo os meus lábios dos teus
e atiro-te para o chão…
olhas para mim desejando-me
a música termina
eu viro-me de costas
atirando-te a rosa vermelha…
espero pelo próximo passo
sem olhares indiscretos…
Bruno Ribeiro
Lx. 11/13.Maio.08
tertúlia sentida de
Unknown
às
12:52
10
breves tertúlias



