terça-feira, fevereiro 12, 2008

guitarra do teu olhar

photo: adormeci a ouvir a voz da terra_Heliz


tépidas as palavras
que brotam do meu ser
em rasgos do meu olhar
na imemória do viver
a tua ausência…

sagaz a cor da lágrima
que jorra da minha alma
de te sentir longe
do intenso desejo de te ver
e de te ter

sorrindo, vendo-te sorrir
nos velhos passos guardados
ao lado, teu
de mão dada…

fugaz o teu abraçar o meu braço
que me envolve de calor
que te distribuo nos dias frios
e a tua fragrância natural
do toque suave do teu corpo
em corpo meu…

doces tâmaras,
os lábios que os meus desejam
sabor do teu sabor,
saliva adocicada

vem… vem até mim
e sorri no amanhecer do meu olhar
varrido pelo teu cabelo negro
escovado pelos meus dedos, desejo
das noites guardadas
e não dormidas
palavras vãs
na tua ausência
fado no sentir
a velha guitarra da saudade

Bruno Ribeiro
Lx. 26. Abril. 007

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

paz absorta!

photo: aqui_.k&p


deslizar rude,
como um raio que rasga a tela da noite
desta lágrima que me cai.

cega,
desliza pelo meu corpo rasgando-o
folha de um livro versado,

suada,
porque corre sem parar pelo rosto
enquanto a chamo

perdida,
como o meu andar ignorado
entre a neblina do desconhecido

corajosa,
porque cai, atira-se ao chão
como uma folha outonal…

e um sorriso a apagava
e um olhar a secava
e uma mão a tirava
_____de um qualquer meu olhar vazio!


e deixo-me absorver pela página da música
agarrado ao que tenho…
próximo de mim – o ar!
e deslizo pelo olhar da noite
passeando a minha sombra
erguida pela imensidão da vida!
_____imensidão ténue e frágil…

Bruno Ribeiro
Lx. 11 Maio. 007

terça-feira, janeiro 29, 2008

Tela de sedução

photo: 'Cause it's not going to stop..._heliz


São beijos, meu anjo
essas pétalas que caiem sobre o teu corpo
beijos de desejo, desejo por ti!
São pingos de paixão
esses de uma vela derretida
que percorre o caminho traçado
por um pequeno cubo de gelo
efémero… pelo calor do teu corpo
É apenas a minha mão,
essa pena que suave, esvoaça pelo teu corpo
numa espiral de sedução!
São apenas os meus olhos
que vislumbram o teu corpo
repousado… desejando-me!
São apenas pinceladas de ar
este suspirar profundo
em que os nossos corpos se unem
na subtileza do amanhecer!
e quando a noite chega
fragmentos de paixão deambulam
entre os nossos olhares…

por isso,
toca no meu rosto com a tua mão
e aproxima os teus lábios dos meus
deixa os nossos olhares conversarem
na melódica suavidade da paixão
tela ardente cravada na nossa pele!

Bruno Ribeiro
desejando-te algures, 27.Junho 007

sábado, janeiro 26, 2008

Perdido!

photo: o homem que quis matar o destino_heliz


Perco-me nas vozes que me divagam...
Perco-me no silêncio que me invade...
Perco-me na solidão que me assola...
Perco-me no tempo e no espaço...

‘a melodia que soa a traição
e a balada da mentira
não me saem da cabeça...

perco-me no esquecimento...
perco-me na vontade de sorrir...
perco-me nos acordes do silêncio..

que invade o meu ser
a cada instante
em cada momento...

perco-me na espuma do mar...
perco-me nas nuvens que esvoaçam...
perco-me na efémera palavra...
de me perder a mim próprio!

Perco-me na cinza das horas...
Perco-me na chuva...
Perco-me nas bolas de sabão...
Perco-me no meu próprio olhar!

Bruno Ribeiro
PMS, 11.Fev.007

domingo, janeiro 20, 2008

olhar do desejo

photo: intimate 24 _ a brito

‘são tantos os tempos que me perco no tempo
são tantas as imagens que me atravessam
mas o teu olhar… ai! o teu olhar…
faz-me perder o sentido de qualquer tempo,
faz-me imaginar perder-me no teu olhar…

‘são tantos os versos que me fazem perder
sobre os sorrisos da tua imagem que recordo
em pequenas lembranças do futuro
palavras escritas no meu olhar
de te desejar aqui ao meu lado…

‘desejar-te…

desejar beijar o teu rosto, os teus lábios,
desejar beijar o teu pescoço, os teus ombros,
desejar beijar os teus braços, as tuas mãos,

beijar o teu corpo… os teus seios…
a tua barriga… vê-la tremer… nervosa!
tocar-te ao mesmo tempo que beijo
brincar com a língua
pintar o teu corpo com a paixão
e saciar o meu apetite voraz!


‘são tantos os desejos que fico sem tempo
de não querer olhar no teus olhar…
fico sem tempo e não quero,
deixar de te olhar enquanto te possuo
e os teus olhos nos meus de prazer
insaciável os pecados da carne!

‘são tantos os tempos que me perco no tempo
são tantas as imagens que me atravessam
mas o teu olhar… ai! o teu olhar…

Bruno Ribeiro
PMS, 12, Março.007

quinta-feira, janeiro 17, 2008

danço em delírio

photo: o gesto lúdico do sonho_heliz


deliro…
vagueio no ar numa dança temporal
movimento-me por entre os acordes
como se fosse chuva…
o som no quarto, que me enche
que me faz viajar
pelas recordações, pelo presente e futuro…

deambulo…
no vazio do meu quarto
enquanto não se enche com o teu ser!
no vazio da minha rua
no meio desta multidão – solidão
pelos teus passos distantes desta calçada…

e as músicas sucedem-se…
e pinto no ar as suas letras
e esboço danças e delírios
embriagado pelo prazer de as ouvir
dançando imaginando-me a dançar contigo
um sorriso inocente no ar!

são as pedras brancas e negras dos pianos
são os traços que se rasgam do violino
que me enchem que me alegram
canto… e lá fora se alguém me ouve és tu!

delírio no vazio da solidão
danço com a minha sombra de luz apagada
enquanto não chegas…
e aí os nossos corpos pintam de prazer
o ar vazio do meu quarto
a calçada que não recebe os teus passos
a cidade sem a tua luz…
e enquanto dançamos
as nossas roupas desfazem-se
ao som destas melodias
ritmos frenéticos e harmoniosos…
o teu respirar…
sabor doce o dos teus lábios
e enquanto imagino esse toque suave
entre os nossos lábios
deliro… dança no ar…
deliro… vagueio… deambulo…
em imagens intemporais…

e quando chegares toca no meu rosto
e quando chegares olha nos meus olhos
e quando chegares afaga o meu cabelo
e quando chegares sorri…
e quando chegares beija o meu rosto
e quando chegares beija os meus lábios
e quando chegares sem aviso… ama-me!

Bruno Ribeiro
Lx. 7.Março.007

domingo, janeiro 13, 2008

Uma curta-metragem

photo: Just as long as I stay_heliz


‘deixo o rio beijar o meu corpo despido
e o vento acariciar o meu rosto...
diluindo as lágrimas que sinto;
deixo o sol secar o meu corpo
e a brisa acarinhar o rosto...
erguendo um pequeno sorriso!

Sento-me num banco de pedra
E imagino mil filmes
Espalhados pelo rio...
Pelos bancos do jardim, pelas árvores...
Que navegam no desconhecido
Imagino-me como actor principal
Em imagens de sonhos idos
Rasgados pelo desenho de um relâmpago.

Olho para a calçada...
Para crianças a brincar,
Para velhos a passear,
Para casais a namorar,
Para cães a ladrar,
Para o céu a chorar...
E sentado fico
A imaginar filmes de tempos idos...

Bruno Ribeiro
Lx,12.Fev.007

segunda-feira, janeiro 07, 2008

por fim!

photo: does he know how i speak_Heliz


será este o último acto?
enquanto aguardo pelos raios de sol
rasgantes neste velcro negro.

será esta a última página?
enquanto o teu beijo se solta
em direcção a mim, aos meus lábios.

será este o último capítulo?
enquanto luto contra uma tela branca
para poder esboçar um sorriso.

será este o último episódio?
em que o afastar do teu corpo do meu
tomará uma rota sem retorno.

será esta a última música?
do pequeno concerto que nos embala
enquanto os meus olhos perdem os teus.

será este o último suspiro?
do desejo que nutro
paixão que se apaga de mansinho.

Bruno Ribeiro
versos no espaço e no tempo

domingo, dezembro 30, 2007

a partida (parte I)

photo: o tempo passou por aqui_daniel oliveira


hoje é o dia da minha partida
iço as velas dos meus sonhos,
sinto a voz do vento, o calor do céu!
olho à imensidão do mar,
com os pés na areia molhada.
levanto a âncora e parto…

não posso olhar para trás,
para os rostos que me vêem partir
para as lágrimas que banham a paz
para as mãos a acenar
e as últimas palavras, sem adeus!

hoje é o dia da minha partida
em que ergo o olhar à esperança
de içar a coragem e vencer os medos.
olho à imensidão do teu olhar
sinto a melosidade da tua voz
e delicio-me nos teus sorrisos.
e parto…

Bruno Ribeiro
PMS, 9.Março.007

quarta-feira, dezembro 26, 2007

jardim dos poetas

photo: simplesmente, choro!_Daniel oliveira


são pétalas negras com gotas de sangue
as lágrimas cravadas no coração!
são nenúfares encrostados
nas doces tentações dos desejos
são hipotéticas metáforas
derramadas pela tinta desta caneta…
ao som de um piano sem teclas!
são imagens de um filme a preto e branco
- imagens do passado
são folhas caídas que se desfazem no chão
- decomposição do meu ser!

mais um passeio pelo jardim das memórias
mais uma viagem pelo templo dos desejos


Bruno Ribeiro
Lx. 2728.Fev.007

quarta-feira, dezembro 19, 2007

devaneio imperfeito

photo: não sei quantas almas tenho_GABA


batem as asas em repouso,
um olhar fatigado em direcção ao chão
foco de luz ténue sobre o pensamento
folhas caídas, lágrimas derramadas,
agarrado ao pouco que há para agarrar…
procura-se a esperança da pouca que existe
na mais remota e árida caverna
uma pequena luz…

é noite, sem qualquer luz artificial!
o luar não existe,
as estrelas não brilham
e os barcos afundaram-se…

entrego o meu corpo ao devaneio
enquanto o meu ser vagueia por aí
cada um para seu lado e perdidos…


'e se um dia a felicidade bater à porta
só espero que uma das partes esteja do outro lado…

Bruno Ribeiro
Lx.30.Jan.007

sexta-feira, dezembro 07, 2007

in the night, about a book

photo: do livro I_Heliz


pedras soltas,
como o pensamento que vai e vem
deslizando por baixo dos meus pés,
páginas soltas de um livro.
perco-me a olhar sobre o Tejo
à procura do mar… do inexistente!
quantos ecos não evocados…
solidão entre calçadas
perdido entre muralhas
vagueando por entre focos de luz
linha de sombras que me escondem o corpo.
beijo a curiosidade do luar
sentado na esplanada, com o meu olhar,
serpenteando as tormentas do pensamento
enclausurando o sentimento
que solto através das palavras
na ponta desta caneta
tacteando a superfície desta folha
amarelada do tempo, da solidão…

‘percorro as ruas e as travessas
com o som dos meus passos como pano de fundo,
saltitando entre as luzes dos bares
abertos noite dentro no bairro alto
canto a mentira de uma alegria
enquanto entretenho o pensamento no nenhures…
sorrisos de pessoas temperadas pelo álcool,
cheiros de mil cheiros,
rostos vagueando entre portas,
corpos dançando, bailando, mentindo…
à procura de quem não são!
embrenho-me num qualquer poiso
e observo as pessoas que ali existem
beijos perdidos no ar
misturados com o fumo dos cigarros,
copos vazios pelo tempo
peço algo que nem sei e saio
e corro no meu ser
as efemérides da vida!
voo pela memória, deambulo…
danço ao som das luzes e perco-me
e quando dou por mim,
volto para aquela cadeira na esplanada junto ao Tejo
e repouso o olhar no amanhecer
acordando para um dia que me espera só
sem álcool nas veias
porque o sal das lágrimas
consome-me noite e dia!

Bruno Ribeiro
Lx. 1.Fev.007

segunda-feira, dezembro 03, 2007

amanhecer com tons laranja

photo: a caminho de órion_Heliz


mais uma noite sem ti
quebrada pelo teu beijo ausente
apenas o olhar tranquilo
_____de um nascer do sol…
pintando o céu de laranja
diluindo-se na imensidão dos meus desejos
o meu olhar perdido
_____naquela pintura natural
faz-me levantar e erguer
batendo um ritmo inconsciente
em que a sombra ainda adormecida
beija a solidão jazida…

os acordes de uma manhã primaveril
fazem-se ecoar nestas ruas
em que o teu passear não existe
acordes de um qualquer violino
_____de uma qualquer janela
_____de um qualquer sentido
_____de um qualquer olhar…

pinta em mim os teus desejos
e solta-te nesta balada silenciosa
em que os desejos se tornam realidade…
dança nos meus braços
e olha nos meus olhos em silêncio…
para que não desvaneças nos sonhos!

Bruno Ribeiro
Lx. 12.Março.007

quinta-feira, novembro 22, 2007

photo: noir total _ Tuta

Gélidas as palavras da solidão
Que trepam pelo meu ser
Como ervas daninhas
No crepúsculo da tua ausência…

Bruno Ribeiro
Lx. 29.Março.007

domingo, novembro 11, 2007

O fim do nosso livro?

photot: a tragédia I_Heliz

Sorri para mim...
Olha nos meus olhos e sorri!

Dança para mim...
O teu corpo nas minhas mãos e dança!

Olhar sedutor, sorriso terno e alegre...

Pequenos nadas,
Que o meu olhar precisa de beber
Para o meu rosto fazer dançar um sorriso!

Pequenos esboços de felicidade,
Aquela página que ainda não abri,
Pequenos esquiços de paixão
Aquela margem que se diluiu...
Pequenos nadas sem resposta...

Simplesmente porque fechaste o livro!

Bruno Ribeiro
PMS, 3.Fev.007

sexta-feira, novembro 02, 2007

o vazio do silêncio, esboços de solidão

photo: encontro-me no silencio do teu respirar_ daniel oliveira

peregrino dos meus pensamentos…
bate em mim um novo ser,
ou pelo menos, um ser
que apenas estava escondido e que se revela
bate em mim um novo pulsar
novas formas de ver o que envolve
novos sentidos, novos rumos…
só os desejos e os sonhos se mantêm!

vagabundo do meu corpo,
vendo a alma ao desbarato
vendo o espírito, entrego-o…
entrego-me… vendo-o…
sem saber com que objectivo…
sem saber qualquer destino…

novos sóis que encontram em mim
palavras em versos que não se conjugam
apenas derramam pequenas lágrimas de sangue
novas luas em noites vazias
que procuram a vazia sombra da solidão
de pequenos esboços do meu ser!

sento-me num banco de pedra
frio como a fria solidão
estendo o olhar e os dedos
e perpetuo o meu silêncio
num velho piano esquecido.


Bruno Ribeiro
PMS, 11.Março.007

terça-feira, outubro 23, 2007

Vagens (d)escritas

photo: nas lagrimas seco a minha dor!_daniel oliveira



No silêncio destas páginas,
Remeto esquiços em formas de palavras
Do meu pensar e sentir,
Vagens da vida,
Que se estendem na palma da mão!

São fragrâncias da solidão
Do recordar o que recordo
Sem pensar no que sinto
Sentindo o que penso…

Breves suspiros entoam
Por entre os sons nocturnos
Pequenos prazeres concedidos
Por entre as recordações que recordo
E que vagueiam no meu pensar!

Estende a mim a tua mão…
E faz-me percorrer o trilho dos teus passos
Deixados na terra molhada
Dos momentos vividos…
E leva-me contigo de mão dada
Através desse trilho pintado
Debaixo do teu olhar, sorrindo
Uma qualquer palavra
Que os teus lábios soltam…
À espera de um beijo meu!

E nos desejos que estas páginas revelam
Remeto-me ao silêncio das palavras
Escritas com tinta negra
Pela saudade sentida
Através das palavras descritas
Da gélida sensação da tua ausência!


Bruno Ribeiro
PMS, 6. Abril.007

segunda-feira, outubro 15, 2007

vazio

photo: olhas-te _ .k&p

Um banco do jardim sem gente…
Baloiço sem esperança.
Barco à vela sem vento
E circo sem palhaços…
(palhaço a preto e branco)

Uma casa sem vida,
Árvore seca sem folhas
Caídas no chão, esmagadas…
Dia sem sol, sem chuva, sem nuvens…
Noite sem estrelas, sem lua
(apenas o uivo de um lobo à lua negra cheia)

Flor murcha, vinil riscado,
Pétala caída, lágrima derramada,
Calçada de carvão, seda preta,
Olhares vazios…
Sorrisos tristes, esperanças apagadas…

Jardim sem verde, só cinza…
Praia sem areia ou mar…
Esplanada no deserto sem sombra,
Sombras de vultos negros…
Candeeiros de luz escura…
Palavras em silêncio
Cama de espinhos…

Poetas de palavras secas,
Pintores sem telas,
Música sem acordes…

Sento-me no banco do jardim molhado
Da chuva de cinzas,
Derramadas pelo sol… murcho,
Criança de olhar cabisbaixo
Com roupas esfarrapadas, sem brinquedo,
Pontapés numa pedra solta da calçada,
Ladrar rouco de um cão mudo,
Olhares de gentes estranhas, olhar vazio,

Sozinho no seio de uma multidão
Deambulando por ruas sombrias,
Perseguido por uma pequena nuvem negra,
Carregada de facas e espinhos,
No chão brasas incandescentes,
Os meus pés? A sangrarem…
Espelho sem reflexo,
Sorriso forçado…
Mão dada com a própria sombra,
Desabafo surdo esperança perdida…
A última lágrima despida…
O último fôlego… adeus!

Bruno Ribeiro
Lx. 28.Out.06

sexta-feira, outubro 12, 2007

sussurro!

photo: Eve of Seduction _ Elsio Arrais

‘sussurra em mim os versos do teu corpo
enquanto te penetro na alma com o olhar
e devagar… toca-me com as tuas mãos
e pinta o meu corpo com a tua saliva!


diz que me desejas…
preenche o meu ego com palavras doces
e varre o meu ser com o teu cabelo…
sente os meus beijos
como pétalas que deslizam na tua pele
enquanto a melodia das nossas fragrâncias se cruza

sussurra mansinho a poesia do teu sentir
e sem temer demonstra que me desejas
fuzila-me com o teu olhar
pois não o receio e até o anseio…
e com ele desliza sobre mim
ao mesmo tempo que as mãos o seguem!
os meus lábios que se aproximam dos teus
em palavras silenciosas de te querer
sobre o olhar misterioso da lua
única testemunha e nossa cúmplice!

‘e vagueiam em mim desejos e sonhos
que derivam sobre o mar da poesia
soltos como palavras que se amam
debaixo da pálida folha de papel…
e no teatro dos sonhos de um livro
derramo os versos do meu olhar
sentir o vibrar do meu ser
como o sentido acorde de um violino
que derrete o frio da escuridão
através do esboço do teu olhar!

no silêncio da escuridão,
quando todos os outros seres dormem
segreda-me o teu gemer de prazer
enquanto a melodia do teu suspirar
descreve o tango que danças sobre mim
despenteando o ar com os teus movimentos
e ao sentir a brisa do teu respirar
anseio os teus lábios e o teu olhar…

‘sussurra em mim os versos do teu corpo
enquanto te penetro na alma com o olhar
e devagar… toca-me com as tuas mãos
e pinta o meu corpo com a tua saliva!


para não nos perdermos apenas na página do prazer
deixamos os corpos despidos e insaciados
colados um ao outro… cúmplices
e esculpimos a dança eterna
da paixão silenciosa entre os nossos seres
descrevendo um livro de fantasias
que se encontram em cada nosso olhar!
e com os teus lábios silenciosos
diz-me que me desejas com um beijo!

Bruno Ribeiro
PMS, 23.Março.007

sexta-feira, outubro 05, 2007

Ilusões


Acorda-me com um beijo,
Acorda-me deste sonho que não quero,
Acorda-me… diz-me que foi só pesadelo…
Deixa-me olhar-te e retribuir com um sorriso,
Com outro beijo…

Ainda sinto os teus lábios carnudos e macios
Abraçar-me nos teus sorrisos…
Ainda sinto o teu perfume espalhado
Em mim…

Deixa-me olhar-te…
Pois não me canso de olhar para ti
Nunca me cansarei…

Acorda-me…
Desta utópica realidade que não desejo
E sorri-me com palavras doces…
Deixa-me embrenhar-me nos teus cabelos
E pegar o ar de mãos dadas…
Deixa-me nadar no teu olhar,
Pois jamais deixarei de me cansar de te olhar…

E em cada instante sem ti morro…
Para de seguida renascer com esperança
Para depois me afogar em lágrimas…


Bruno Ribeiro
Lx. 12.Nov.06