perturbado,
num delírio que me atira contra a parede
vozes dentro de mim, grito…
loucura que leva as mãos à cabeça
enquanto me contorço em mim mesmo
num vaivém aos saltos no meu quarto
entre quatro paredes escuras
uma porta fechada, trancada por dentro
uma janela que não deixa entrar luz!
delírio,
num perturbado contorcionismo de movimentos
violência no meu corpo
e salto e grito…
numa dor de agonia transparente
e solto a fera que há em mim
num ritmo alucinante…
as paredes pintam-se de suor e sangue
neste meu pêndulo jazido
neste quarto escuro…
revolta do meu próprio ser!
e no meio daquela loucura frenética
um bater à porta,
um pedido de baixar o som da aparelhagem
mas eu só queria que alguém me agarrasse
nesta fragilidade escondida
um acalmar, um abraço… através do olhar
que mudasse este ritmo infernal
em que me encontrava…
mas como isso não surge
ignoro esse querer de me parar
e ponho ainda mais alto
esta balada de acordes frenéticos
que me atiram para uma loucura…
‘e se me quiseres abrandar,
bate à janela com as tuas asas de anjo
sorri-me, olha-me, fala-me
abraça-me, toca-me, beija-me
pois só assim o meu ser terá paz!
Bruno Ribeiro
PMS, 2.Março,007


















