photo: olhas-te _ .k&p
Um banco do jardim sem gente…
Baloiço sem esperança.
Barco à vela sem vento
E circo sem palhaços…
(palhaço a preto e branco)
Uma casa sem vida,
Árvore seca sem folhas
Caídas no chão, esmagadas…
Dia sem sol, sem chuva, sem nuvens…
Noite sem estrelas, sem lua
(apenas o uivo de um lobo à lua negra cheia)
Flor murcha, vinil riscado,
Pétala caída, lágrima derramada,
Calçada de carvão, seda preta,
Olhares vazios…
Sorrisos tristes, esperanças apagadas…
Jardim sem verde, só cinza…
Praia sem areia ou mar…
Esplanada no deserto sem sombra,
Sombras de vultos negros…
Candeeiros de luz escura…
Palavras em silêncio
Cama de espinhos…
Poetas de palavras secas,
Pintores sem telas,
Música sem acordes…
Sento-me no banco do jardim molhado
Da chuva de cinzas,
Derramadas pelo sol… murcho,
Criança de olhar cabisbaixo
Com roupas esfarrapadas, sem brinquedo,
Pontapés numa pedra solta da calçada,
Ladrar rouco de um cão mudo,
Olhares de gentes estranhas, olhar vazio,
Sozinho no seio de uma multidão
Deambulando por ruas sombrias,
Perseguido por uma pequena nuvem negra,
Carregada de facas e espinhos,
No chão brasas incandescentes,
Os meus pés? A sangrarem…
Espelho sem reflexo,
Sorriso forçado…
Mão dada com a própria sombra,
Desabafo surdo esperança perdida…
A última lágrima despida…
O último fôlego… adeus!
Bruno Ribeiro
Lx. 28.Out.06