quarta-feira, junho 25, 2008

ainda dói…

photo: em que espelho ficou perdida a minha face_mariah


preciso do teu olhar
para repousar o meu…


perco-me nas palavras que te quero dizer
sem saber quais são
vislumbro o silêncio das mesmas,
sem as poder dizer,
pois a tua presença não está junto da minha!
apenas o vazio de estar com a sombra
somente a imaginação de te olhar
nas lembranças,
que teimosamente teimo
em não conseguir esquecer
bem tento!

mas no silêncio…
é a tua voz que ouço..
estás longe, nem sei quanto
mas na dor estás tão próxima.
és a dor que me faz chorar
e que eu não consigo apagar!

dor…
porque o que sinto
é grande e dói!

Bruno Ribeiro
Lx. 6.Outubro.007

domingo, junho 22, 2008

tango

photo: unknown

em resposta a um desafio lançado... pela Naela

tango – visto por ela!

[ nesta pauta
em que enquadro
desenhos do teu ser
balada do meu viver,
guardo recortes
lembranças na seda
que cobre o teu beijar
na fogueira da paixão!
]

percorro o teu olhar selvagem
e da tua mão
surge o convite
da dança da paixão
através de uma rosa vermelha
cor dos lábios que te anseiam
chama ardente que me brota!
tornamos nosso aquele palco
entre passos que nos afastam
outros tantos que nos aproximam…
cravo as unhas nas tuas costas
enquanto enrolo a perna à tua perna
olhas para mim,
violentando-me a alma
estremecendo meu peito…
gestos firmes, os teus
que me dominam
nesta tela da paixão
em que olhares estranhos
perscrutam a arena tomada nossa!
rasgo a tua camisa
espalhando no chão
fragmentos do teu corpo…
com o desprezo que finjo ter!
olhares felinos de desejo…
colados…
aproximas os teus lábios dos meus
entre rodopios que me fazes tomar
vagueias a tua mão
na pele que te anseia
e antes do beijo que tanto espero
atiras-me ao chão
de seios despidos
a música termina
viras-te de costas
e atiras-me a rosa vermelha!

espero pelo próximo passo
sem olhares indiscretos...




tango – visto por ele!

[ nesta pauta
em que enquadro
desenhos do teu ser
balada do meu viver,
guardo recortes
lembranças na seda
que cobre o teu beijar
na fogueira da paixão!
]

estendo da mão
uma rosa vermelha
cor do sangue que fervilha
deste coração que te ama
convido-te para dançar
e num gesto consentes
que me aguardas…
esboçamos no chão
os passos que nos desnudam
entre olhares de sedução
percorro pelas tuas costas
a minha mão que te procura
e num gesto firme
deitas-te sobre o meu braço
revelando que me confias
o desejo do teu corpo.
neste serpentear de emoções
em que a pista de dança
se torna nossa,
olhares desconhecidos e ansiosos
revelam-se imóveis…
perante nós!
o teu vestido justo
rasga-se perante o meu olhar
mostrando pequenas telas
da tua pele que me chama!
e antes que a música termine
entre o despontar do desejo
rodopio-te… perante mim
vagueio o teu corpo com a mão
aproximo os meus lábios dos teus
e atiro-te para o chão…
olhas para mim desejando-me
a música termina
eu viro-me de costas
atirando-te a rosa vermelha…

espero pelo próximo passo
sem olhares indiscretos…





Bruno Ribeiro
Lx. 11/13.Maio.08

quinta-feira, junho 19, 2008

o mundo pára

photo: unknown [oferecida por alguém especial]


quando sorris, o mundo pára
grinaldas de cor
que explodem
como um fogo de artifício
de pétalas…

quando me olhas dessa forma
deliro, perco-me no teu olhar
vivo cada nanossegundo
intensamente,
e não há outra maneira…

quando me beijas
sinto o coração enlouquecido
dançando, pulando pelo corpo
vibrando a cada instante
o mundo pára…

e sem jeito
neste gesto mimado
de te querer olhar,
ver-te sorrir
intensamente beijar
entrego-me a ti!

Bruno Ribeiro
Lx. 8.Abril.008

segunda-feira, junho 16, 2008

deitado, num chão de pedra!

photo: sem nome_nuno bernardo

olhar, pousado no chão frio
ausente, perdido distante,
penetrante no pensar, olhar vazio…
cabeça pesada, vislumbre de lágrima
que desce inquietante,
deste lacrimejar da caneta nesta página
enevoada, como o pesar
de uma brisa velha de nanquim
que me teima em acompanhar!

neste chão frio e húmido
desatino que vem a mim
corpo deambulante, estendido…

olhar,
pousado neste chão frio…
perdido… o meu olhar…
vazio…

Bruno Ribeiro
Lx. 8.Out.007

sexta-feira, junho 13, 2008

serei sombra de mim mesmo?

photo: schhhhh... não digas nada_heliz


‘retrato
pintado na penumbra
de olhares que teimam
em não se cruzar.

‘tacto
gesto que se estende na sombra
destes lábios que me beijam
fugaz o teu olhar…

a tua mão no meu peito
o teu olhar que penetra o meu
chamando-me…
desejando-me…

as minhas mãos na tua cintura
o meu olhar que banha o teu
chamando-te…
desejando-te…

serão apenas sombras nos meus sonhos?

estas que vagueiam na parede
pintadas por velas apaixonadas
que dançam e serpenteiam
o nu dos nossos corpos!

estas que dilaceram
o silêncio da noite
entre respirares profundos
da chama dos nossos lábios…


seremos apenas boatos?

estes que revelam
as tuas unhas na minha carne
a minha língua na tua boca
as minhas mãos no teu corpo.

estes que não distinguem
se são dois corpos que se amam
ou apenas um que se fundiu
nesta tela carnal…

Bruno Ribeiro
Lx. 6.Abril.008

segunda-feira, junho 09, 2008

passeio da vida

photo: sleepless_alba luna

uma bengala que marcha
rosto vivido e alegre
uma mão dada de carinho
cabelos grisalhos, negros do tempo
ternura em cada olhar
passos mais repousados
de quem já nada espera
apenas aprendeu a viver…

um sorriso em cada gesto
um abraço sentido
um beijo de respeito
amor presente, quadro da vida
de quem por tudo passou
amizade, respeito, compreensão
tolerância em cada palavra
de quem já nada espera
apenas aprendeu a viver…

só espero um dia viver estas palavras
de mão dada à tua mão
sorriso em cada gesto
brilho no olhar de amor
de quem por tudo passou…

até lá,
vive comigo como se cada dia fosse o último
de quem tudo quer dar
amor por viver, amor sentido
paixão permanente
sorriso em cada gesto
olhar ternurento…

Bruno Ribeiro
PMS. 2.Março.007

sexta-feira, junho 06, 2008

vagueando no teu corpo

photo: drowned world_avalon


nu,
deambulo por aqui e ali
nas ruas puras do teu corpo
perfumado,
vagueio por entre os dedos da tua mão
saboreando-os, desenhando-os
moldando-os com os meus
ao ritmo das velas
esboçamos o trilho do prazer
no corpo de cada um…

nu,
deambulo pelos desejos da paixão
olhando para cada pétala
do teu corpo que desfloro
através dos meus lábios…
o teu pescoço…
os teus seios…
a tua barriga…
as tuas ancas…
as tuas pernas…

mergulho na vontade de te dar prazer
e o teu olhar revela
a tua vontade de me tocar…
e amamo-nos, apaixonamo-nos…
mil vezes em cada mil olhares…

Bruno Ribeiro
Abril.008

terça-feira, junho 03, 2008

remando entre versos

photo: there's a place where we belong_heliz

remo,
entre versos nostálgicos
sombras… fantasmas… pesadelos…
histórias de vagas de sal
entre passos desconcertantes
que desesperam entre gestos
esquecidos…
pelo tempo… templo de olhares,
melodias intemporais
resvalam entre as minhas veias
como lágrimas de sangue,
que pincelam neste quadro – meu ser
uma ilusória lanterna de salvaguarda…
desespero… desespero…
cravado nas pedras da parede com o meu sangue
rastejando entre o suor das palavras.
vagas. sentidas. doridas
criadas no âmago do meu viver
perdido que estou,
entre as linhas que me penteiam as mãos
pesam tanto os meus olhos…
destas lágrimas gélidas
que brotam em avalanchas…
sufocando-me…
engasgando-me… no silêncio da noite
entre murmúrios que desconheço
murmúrios meus…
acordes que me despedaçam…
flagelam o meu mais remoto sentir
e o som de mais uma entre tantas
lágrimas caídas a meus pés.
letras soltas neste temporal dos sentidos
que esvoaçam em desdém
de mim próprio!

photo: no final da tarde eu amo a tarde_heliz

desespero…
varre em mim a cólera destes versos
que me espelham numa mancha negra
rabiscos soltos de qualquer coisa
que desconheço
rabiscos de mim…
vagueio… porque não sei para onde ir…
tudo me parece cheio…
tudo me parece vazio…
perco-me nos ponteiros,
por detrás de uns óculos escuros
para que não me leiam…
deliro, entre movimentos soltos
danças de um estar onde não sei onde estou
desespero.. este meu andar
por entre os ponteiros que pautam
o afastar…

assim remo…
… remo entre versos nostálgicos
remo para onde não quero estar
fugindo de onde não quero ficar…
sem destino…
apenas remo…
folha de papel deixada para trás…

ai. que desatino este desespero!

bruno ribeiro
lx. 11.maio.008

domingo, junho 01, 2008

hola!

photo: figure red_Ilya Rashap

hola chica

os teus olhos hipnotizaram os meus
e o teu olhar vasculha-me…

lá longe, quando te vi,
já a tua silhueta se destacava
por entre a multidão desconhecida…

chica

tão bonita…

segredo-te as palavras doces
em que me resguardo
por te desejar mais do que mil desejos…

temporal do meu ser!
que se espelha neste mar azul
de um azul profundo cristalino
como a profundidade do que sinto
e a transparência do meu olhar
em que escondo,
a magnitude que me varre ao teu ver!

Bruno Ribeiro
Punta Cana, 29.Março.008

terça-feira, maio 27, 2008

um café à beira-tejo…

photo: shy moon..._heliz


o repousar do sol já se deu…
e os meus olhos repousam no rio,
enquanto os barcos navegam ao sabor do vento!


na minha frente, uma cadeira vazia,
à espera da chegada de alguém, não sei quem,
mergulho na calma ali procurada,
por, ainda, a solidão me fazer companhia.

um vulto apodera-se dessa cadeira
comigo levantado e um par de beijos.

a conversa apodera-se das horas
as horas jazem com sorrisos nascidos
os olhares trocam-se perante o rio!

um violino longínquo que se aproxima,
som meloso que penetra na noite
cada vez mais perto!
um desconhecido surge com rosas
um sorriso do luar que prateia o rio.
e por vezes o silêncio para o escutar…

surge do nada um violoncelo
música do nenhures ali presente!
nós, ali presentes…
um pequeno concerto só para nós!
som altivo que nos enche o espírito

passeio junto ao rio até ao mar…
e as horas passam sem passar…
ancoramos na praia junto a uma fogueira
enquanto conversamos ao luar….

banho de sal…
banho de areia….
desejos com desejos…
sonhos com sonhos…
olhares com olhares…
sorriso com sorrisos…
corpos com corpos…

e quando o sol nasce
os nossos corpos repousam juntos
colados com o fulgor da paixão…

onde as nossas mãos passearam…
corre a água de um banho…
e por onde corre a água…
correm as nossas mãos…

banho de sedução…
sons que indagam os nossos seres
corpos colados tornados um só,
corpos molhados,
pintados pelas mãos…

chocolate a derreter no corpo,
sabor doce…
desenhos, rabiscos de prazer…
sabor doce o dos nossos corpos…
e passamos o dia enrolados na paixão
a dançar pelo chão,
pela cama, pelo chuveiro…
e paramos a olhar um para o outro
como na noite na praia
até que a lareira se apagou
e o nosso olhar adormeceu…

e acordo só na minha cama!

Bruno Ribeiro
Lx. 8.Fev.007

domingo, maio 25, 2008

seduzindo em segredo

photo: unknown


a minha voz ao teu ouvido…
em forma de sussurro
com contornos de segredo!


quando olhares nos meus olhos
diz o que desejas
o que sentes…
revela o teu coração!

quando pegares nas minhas mãos
leva-as para onde anseias
o que desejas…
revela a tua paixão

o meu olhar no teu olhar…
em forma de desejo
com contornos de sedução


quando escutares ao teu ouvido
dizendo o que desejo
o que sinto…
revelo o meu coração!

quando pegar nas tuas mãos
deixa-as revelar o teu corpo
deixa-as moldar as tuas formas
o que anseio, o que desejo… minha paixão!

Bruno Ribeiro
Lx. 7.Abril.008

sexta-feira, maio 23, 2008

acordes de desilusão

photo: st_Hernâni Faustino


junto à minha companhia – solidão!
esboço uns acordes que não sei tocar,
som triste no silêncio da noite…
derramo palavras de melodia que conheço,
cai uma lágrima… gela no olhar,
derrete no coração… seca no vazio…

na guitarra sem cordas,
ecoa sons surdos, melodias do passado
e agora presente melancólico.
agarro no violino…
e sinto-me morrer a cada anoitecer…
som que entranha de suavidade,
no meu olhar… murmúrio surdo.
descalabro em cada nova lágrima!
é tempo de parar de chorar…
e tocar no silêncio da noite
as mesmas músicas…
… mas enfrentando tudo o que sinto!
e pintar naquele quadro negro
um traço branco…
pincelada de esperança!


esperança de dias melhores.

Bruno Ribeiro
Lx. 1.Fev.007

quarta-feira, maio 21, 2008

relógio de cuco

photo: If I could rule the time_bloo

tic-tac
compasso da minha espera
melodia de um relógio de cuco
que teima em dançar
enquanto não chegas

tic-tac
o badalar na cabeça
da imagem do teu ser
que se aproxima de mim
mas que ainda não vejo

tic-tac
cai longe uma estrela
enquanto aguardo pelo teu beijo
aquele prometido…
e penso nele enquanto espero

tic-tac
e mais um salto do cuco
vindo à janela sorrindo
gozando comigo, por me ver
e quando voltar... ali estarei

tic-tac
espero…
porque não tenho para onde ir
porque não tenho com quem ficar
e assim… só me resta esperar

photo: night_unknown

tic-tac
cai mais um pedaço do relógio
num chão roído pelo tempo
enquanto espero…
esperando não sei o quê…

tic-tac
e não surges…
e não te vejo…
procuro-te algures…
e o teu ser eu desejo…

tic-tac
espera que teima em demorar
enquanto sorris sem eu ver
enquanto te moves sem eu saber
e eu aqui… esperando…

tic-tac
pouso a caneta
fecho o caderno
tiro os olhos da folha branca
e vou viver…

tic-tac
quando eu menos esperar tu encontras-me
inspiração do meu ser
que varres a minha alma
e que limpas as lágrimas do meu coração

Bruno Ribeiro
no tic-tac do tempo

segunda-feira, maio 19, 2008

há em mim

photo: trajectória do silêncio que te busca_heliz

há em mim
o silêncio da tua ausência
que crava
lá fundo,
bem profundo…
um amargo sentir
a fria sombra
que me beija
em forma de lágrima!

vivem em mim,
respira,
tortura
no meu ser
a ausência do teu viver
que chamo
no silêncio das palavras
que tenho de guardar
vivendo…
o dia-a-dia,
procurando viver
com um utópico sorriso
que esboço
sem vontade!

és a vida que me fugiu
e rebolo nas masmorras
do que sinto
e não consigo expulsar
do meu interior
fundo,
lá bem profundo…
no coração
que deixei nas tuas mãos.

reside em mim
a crepúscula
melodia da agonia
tocada pelo violino
que embala
o esboço das palavras
que desenho
efémeras,
no abraçar a solidão
vazia na multidão…

tacto na solidão
cheiro o teu perfume deixado
saboreio o amargo da tua ausência
ouço a própria sombra
olho… para minha a mão – vazia


Bruno Ribeiro
PMS. 27.Out.007

sexta-feira, maio 16, 2008

brinde

photo: falta-me tempo para procurar o tempo perdido_mariah

bebe da saudade que me absorve
as palavras de te querer ver
no barco que nos guia
até ao cruzar de qualquer olhar!

bebo da forma de querer
navegar pelo teu olhar
nos meus braços que querem
acolher-te neste meu beijo…

Bruno Ribeiro
Abril.008

quinta-feira, maio 15, 2008

timidez


photo: ask me no questions ..._avalon

esse teu olhar felino
de lábios rosados e húmidos
que me sorri!
esse teu gesto sedutor
de vestido justo
que me encanta…!

ai!

não fossem os meus gestos tímidos…
neste apaixonar lento
de uma troca de olhares…

ai!

não fosse a minha voz trémula
neste apaixonar lento
de uma troca de vontades…

esse requinte perfumado
que me embala
num jardim de tentações!
esse teu andar serpenteado
no caminho do nosso beijo
turbilhão de desejos…!

ai!

não fosse o dia noite
neste apaixonar lento
de uma troca de olhares…

ai!

não fosse o desejo sano
neste apaixonar lento
de uma troca de vontades…

e já estariam no chão
espalhadas… perdidas…
não queremos saber.
as roupas que nos tapavam…

e já estariam no chão
juntos… unidos…
não queremos saber.
os corpos que se destapavam…!

mas temos de nos conter
nesta troca de olhares
nesta vontade infame
de nos amarmos…

mas temos de nos conter
nesta troca de vontades
nestes olhares infames
de nos amarmos…


e as nossas mãos juntas
abertas e a dançar
serpenteando o ar
desenhando formas diluídas
na vontade de nos amarmos
ali mesmo,
em que o teu vestido justo
te desliza pelo corpo
assim como o meu olhar
que se perde nas tuas formas…
ali mesmo,
em que me percorres
com a brisa da tua voz
enquanto as mãos desenham
as vontades do nosso olhar!

Bruno Ribeiro
Lx. 6.Abril.008

terça-feira, maio 13, 2008

ausente


café,
peço simplesmente a um desconhecido
que me trás sem se apresentar,
agradeço e dou uma moeda
e saboreio…
um casal passa…
duas crianças brincam…
um pombo pousa, na calçada gasta
de tanta vida passada…

línguas estranhas ao meu ouvido,
música longínqua…
cadeiras vazias…
passos apressados, saltos de senhora,
picotar de bengala, um tossir…
transeuntes que passam…
cadeira vaga à minha frente
e o desejo de te ver ali sentada!

estou ausente de mim mesmo,
o que sinto mantém-me vivo,
o que sinto corrói e mata…
entre o silêncio das palavras


Bruno Ribeiro
Lx.8.Out.007

domingo, maio 11, 2008

o meu adeus a ti

photo: Conde de Rivera_alba luna


sangro versos do meu olhar
que desponta o eclipse do meu sentir
melodia do meu viver
a dita ausência do teu ser

vagas do som das palavras escritas
sentidas, pensadas e ditas
no auge do livro que se fecha
páginas do meu corpo que se esvai.

entre as ramagens vazias
e as margens suturadas
de sílabas monocórdicas
num último instante…

… o adeus!

Bruno Ribeiro
28.Abril.008

sábado, maio 10, 2008

esboço de um beijo

photo: duo_unknown


vasculho nas formas do tempo
quantas lembranças de recordar
o teu brilhante olhar…
aquele que me transporta, que me varre
para um qualquer lugar!
cristalino, que me seduz
que me despe no silêncio das palavras
diálogo do nosso beijar!
'os teus lábios carnudos

Bruno Ribeiro
Abril.008

sexta-feira, maio 09, 2008

encenação da nossa paixão

photo: suspensa na penumbra do instante_heliz

o cenário.

chuva que banha a noite
contornando-a, iludindo-a,
luzes apagadas,
música suave… uma brisa
velas espalhadas que nos envolvem
só os nossos corpos
rasgam este falso silêncio…

os cúmplices.

tu e eu!
a nossa vontade
os nossos sentidos
os nossos olhares
os nossos pensares
os nossos sentires
os nossos desejos
a nossa paixão
os nossos corpos…

photo: sem nome_sti

dança da loucura
que se abate sobre nós
levando a roupa cair
desembrulhando o nu dos nossos corpos
num gesto,
juntos…
as bocas que se unem…
as línguas que se amam…
levanto os teus braços
e colo-me nos teus seios
beijo louco…
que percorre o teu rosto
que se desenvolve no teu pescoço…
a tua perna
que me aperta até ti…
e saboreio os teus seios
o teu corpo…
e penetro-te com a minha língua
ardente…
invade em mim a loucura carnal
alvejando o teu corpo
com a minha paixão
empurro-te contra a parede
olho nos teus olhos…
que desvendam o diluir
dos nossos corpos, um no outro!
sinto-te…
sentes-me…
as respirações cada vez mais ofegantes
o nosso suor que se mistura
as nossas línguas que se saboreiam…
os nossos corpos que se amam…

Bruno Ribeiro
Abril.008