sexta-feira, abril 04, 2008

caminho da morte


Percorro caminhos nos palácios romanos
Sinto o odor do público a aclamar
O nome do meu carrasco
Sinto a humidade que escorre
...........................Das paredes de pedra
Nestes caminhos do subsolo
Sinto o som do afiar as espadas
O som dos cavalos…
Saboreio no ar o sabor da areia
Que se banha no centro da arena
Percorro os calabouços dos palácios
Por entre a multidão que vibra
Por um qualquer meu desconhecido

Ar pesado,
Sinto o suor do público
A ferocidade e a alegria
Sou atirado para o desconhecido
Enviado às feras do apocalipse…

Percorro os escombros dos meus passos
Sinto o fervilhar do olhar do carrasco
Que se ergue à fome
De lançar a espada para me esventrar
Estendem-lhe uma mesa de armas
Panóplia do aço da morte
Ergue uma espada e um escudo
O som ensurdecedor da multidão
Metal contra metal
Espada contra escudo
E a multidão a vibrar…
Sinto o odor da carne
E o carrasco à espera
De poder começar a triturar-me
Ergo o olhar ao desconhecido
E os pensamentos estão longe dali!

Na tribuna todos apostam
Duvido que alguém aposte em mim,
(por certo seria perda de ouro)
Alguém se ergue…
Levanta a mão…
Sinal do início do festim
Em que a minha carne será banquete

O carrasco volta a erguer
O escudo e a espada de metal
O público aplaude…

Eu ergo uma pena de corvo!

Bruno Ribeiro
Lx. 3.Nov.007

terça-feira, abril 01, 2008

fechar os olhos

photo: refugiei-me dos teus sentimentos_ daniel oliveira

apenas quero fechar os olhos
e adormecer…
e quando o sol raiar
e os pássaros começarem a cantar
e por fim eu acordar
tudo isto ter passado por sonho…
um mau sonho,
bom pesadelo…

quero fechar os olhos
e quando os abrir, tu aqui!
poder olhar-te e sorrir!
poder tirar o peso que acarreto
finalmente respirar!

fechar os olhos…
e adormecer sem ter nada
a atormentar
nenhuma farpa cravada
nenhum pedaço de vidro
nenhuma faca ou espada
em chama ardente!

os olhos,
adormecer saboreando o teu corpo
com os dedos e o olhar
olhar nos teus olhos e sorrir
beber do teu sorrir
e beijar os teus lábios
saciar a sede dos teus beijos

olhos…
que possam parar de chorar
as lágrimas secas
que me afogam
e por fim, abrir uma brecha
de luz no meu coração!

apenas quero fechar os olhos
e poder dizer o que sinto
com uma palavra
com um gesto
com um olhar
com um beijo…

Bruno Ribeiro
Lx. 1.Nov.007

quinta-feira, março 20, 2008

hoje

photo: era uma manhã luminosa e chamaram-me_Heliz


Hoje,
vi a luz no teu quarto
acesa como um farol na minha busca
passei ao lado da tua porta
sabendo que o meu lugar não era aquele
mas inevitável,
os meus passos não te procurarem
no crepúsculo nocturno.

Hoje,
vi a luz no teu quarto
e não senti a saudade a abraçar-me
nem a vontade de me salvar
naquele farol da utopia
que como o cantar das sereias
me levaria ao engano
pois o meu lugar não era aquele!

Hoje,
foi um bom dia
porque não derramei
qualquer olhar sombrio…
apenas porque perdi qualquer olhar.

Bruno Ribeiro
Lx. 9.Nov.007

domingo, março 16, 2008

fragmentos do teu rosto!

photo: o sudário de Mariam_heliz


recordo,
fragmentos do teu rosto…
livres de qualquer pensar!

sorrio,
ao olhar para o teu sorriso
e perco-me ao olhar-te!

saberás?
o que o meu olhar te tenta dizer
e que eu digo em silêncio…

escutas?
o que as minhas palavras mudas
te querem transmitir ao ouvido…

‘e sem saberes olho
para o teu olhar sorridente
que me fascina sem saberes

e em silêncio…
sigo o contorno da luz
que esboça o teu perfil

recordo,
fragmentos do teu rosto
soltos do dia-a-dia

sorrio,
no anonimato do meu olhar
e perco-me ao olhar-te…

saberás?
que o trilho do meu olhar
deseja encontrar-se com o teu…

escutas?
as palavras que te quero dizer
e ainda não tive coragem de o fazer…

Bruno Ribeiro
Lx. 16.Out.007

quinta-feira, março 13, 2008

nostalgia

photo: transumanização_heliz


eu não sei o que quero dizer…
mas tento esquecer-te
apagar-te das recordações
e tento me perder entre a multidão!
mas quando o meu pensamento não vagueia
quando paro…
sei que não te esqueci!

apesar de não saber o que quero dizer…
não consigo esquecer-te
nem apagar-te das recordações
mesmo que me perca na multidão!
o meu olhar que vagueia
sem saber para onde olhar, sem amparo
sente aquela fria lágrima. não te esqueci!

escorre no rosto fatigado
de não te procurar e não te ver,
uma dor aguda por não te ter!
semblante carregado…
por que te quero esquecer
para finalmente poder viver!

Bruno Ribeiro
Lx. 6.Out. 007

domingo, março 09, 2008

o abraço da solidão

photo: sem título_Francisco Garret


sinto os beijos vazios nos meus lábios
e a vazia presença da tua ausência…
sinto os lábios macios na imaginação
em que te olho e te vejo quando não estás…
sinto o florescer do teu sorriso
e a lágrima que cruza o meu rosto
sinto as palavras que se perdem
no rio da minha doce amargura

sinto o abraço da solidão

os teus beijos…
sinto falta!

dá apenas a oportunidade de falar
à tua voz que me embala

Bruno Ribeiro

quarta-feira, março 05, 2008

na tua ausência

photo: plastic wind_D Di Arte


Quando dou por mim, penso em ti
e não durmo se penso em ti
e se durmo é em ti que sonho
devaneio mais que devaneio de sonho!
Tristonho, se dou por mim
cinza do crepúsculo que há em mim,
se sonho e não me lembro
sei que o sonho a ti pertence
e não sabendo porque relembro
um olhar ausente a mim pertence.

e por fim,
Dou por mim a pensar em ti!

Bruno Ribeiro
Lx. 17.Out.007

sábado, março 01, 2008

o som do silêncio

photo: escolhida e cedida gentilmente por Som do Silêncio [só poderia ser assim]

escuto no som da noite
a incerteza do lugar
a que pertenço,
perdido que estou, em que penso
no não querer pensar
um acreditar que persiste.

Bruno Ribeiro

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

a partida (parte II)

photo: o significado dos sonhos I_Heliz


de velas içadas,
“sinto a voz do vento, o calor do céu!”
permaneço agarrado à âncora da esperança
neste barco frágil, barco de papel…
viajo sem saber para onde
vagueando nos mares que desconheço…
tento esquecer o que deveria ter esquecido
e que determinados momentos
faz doer o relembrar
de momentos que doem…

é no vazio do infinito mar
que tento esconder as minhas lágrimas
em palavras que inconscientemente escrevo…
ser meu… que sem coração
seria capaz de suportar… esta dor!
por incompreendida, velha dor!
porque não apaziguo o que me dói?

velas içadas neste céu nocturno
onde meia-luz incide sobre o mar adormecido…
único caminho que vejo
mas só o vento sabe para onde vou!
pego na minha velha guitarra sem cordas
e toco a melodia surda da solidão
que assola o meu ser!

não sei o que quero e já não sei quem sou…
[ou sempre soube?]
- corvo dos mares
com penas de nanquim!

e continuo a minha viagem
de uma partida já bem distante
e um chegada desconhecida…

Bruno Ribeiro
Agosto.007

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

dança dos desejos

photo: dança canalha I_Heliz


toca-me no rosto com as mãos,
enquanto os meus olhos fechados
...........................- repousam o meu corpo
toca-me com os teus lábios
enquanto o desejo do meu ser
...........................- se manifesta de olhos fechados
sussurra como a brisa leve
qualquer coisa ao ouvido
e deixa-me sentir o teu perfume...
ama-me com o olhar...
com o sorriso, com as mãos...
sopra no meu corpo
e afasta as cinzas das lágrimas...
olha-me e sorri...
deixa-me sentir de olhos fechados
o sorriso do teu corpo....
e deixa que a paixão nos guie
nesta dança das mãos e dos olhares...

Bruno Ribeiro
Lx.20.Fev.007

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

train trip - até ti

photo: ad ultimum_rui pires


o sol ainda está a acordar
os pássaros começam-se a espreguiçar
o galo canta
como um relógio de cuco…

já eu fecho a porta de casa
mochila no ombro
e os versos na alma…
sorrio para os primeiros raios de sol
e à minha volta
as janelas começam a abrir os olhos
aos poucos a cidade acorda
um despertar lento
para a vivacidade do dia-a-dia
caminho…
desperto todos os meus sentidos
e caminho…
bilhete de comboio no bolso
e parto…
para o finito da linha
que nos une…

o que me espera?

Bruno Ribeiro
Lisboa-Porto, 29 Abril.007


sexta-feira, fevereiro 15, 2008

rasto de lágrimas

photo: de pedra com dor_daniel oliveira


Um passeio ao ritmo da chuva
A cair nas pedras da calçada...
Quando dou por mim e à minha volta
Tudo seco... será da chuva seca? Isso existe?
Olho para trás de mim
E vejo um rasto de lágrimas caídas
Desmaiadas nos meus olhos...
Sombra do meu próprio ser!

Bruno Ribeiro
PMS,3.Fev.007

terça-feira, fevereiro 12, 2008

guitarra do teu olhar

photo: adormeci a ouvir a voz da terra_Heliz


tépidas as palavras
que brotam do meu ser
em rasgos do meu olhar
na imemória do viver
a tua ausência…

sagaz a cor da lágrima
que jorra da minha alma
de te sentir longe
do intenso desejo de te ver
e de te ter

sorrindo, vendo-te sorrir
nos velhos passos guardados
ao lado, teu
de mão dada…

fugaz o teu abraçar o meu braço
que me envolve de calor
que te distribuo nos dias frios
e a tua fragrância natural
do toque suave do teu corpo
em corpo meu…

doces tâmaras,
os lábios que os meus desejam
sabor do teu sabor,
saliva adocicada

vem… vem até mim
e sorri no amanhecer do meu olhar
varrido pelo teu cabelo negro
escovado pelos meus dedos, desejo
das noites guardadas
e não dormidas
palavras vãs
na tua ausência
fado no sentir
a velha guitarra da saudade

Bruno Ribeiro
Lx. 26. Abril. 007

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

paz absorta!

photo: aqui_.k&p


deslizar rude,
como um raio que rasga a tela da noite
desta lágrima que me cai.

cega,
desliza pelo meu corpo rasgando-o
folha de um livro versado,

suada,
porque corre sem parar pelo rosto
enquanto a chamo

perdida,
como o meu andar ignorado
entre a neblina do desconhecido

corajosa,
porque cai, atira-se ao chão
como uma folha outonal…

e um sorriso a apagava
e um olhar a secava
e uma mão a tirava
_____de um qualquer meu olhar vazio!


e deixo-me absorver pela página da música
agarrado ao que tenho…
próximo de mim – o ar!
e deslizo pelo olhar da noite
passeando a minha sombra
erguida pela imensidão da vida!
_____imensidão ténue e frágil…

Bruno Ribeiro
Lx. 11 Maio. 007

terça-feira, janeiro 29, 2008

Tela de sedução

photo: 'Cause it's not going to stop..._heliz


São beijos, meu anjo
essas pétalas que caiem sobre o teu corpo
beijos de desejo, desejo por ti!
São pingos de paixão
esses de uma vela derretida
que percorre o caminho traçado
por um pequeno cubo de gelo
efémero… pelo calor do teu corpo
É apenas a minha mão,
essa pena que suave, esvoaça pelo teu corpo
numa espiral de sedução!
São apenas os meus olhos
que vislumbram o teu corpo
repousado… desejando-me!
São apenas pinceladas de ar
este suspirar profundo
em que os nossos corpos se unem
na subtileza do amanhecer!
e quando a noite chega
fragmentos de paixão deambulam
entre os nossos olhares…

por isso,
toca no meu rosto com a tua mão
e aproxima os teus lábios dos meus
deixa os nossos olhares conversarem
na melódica suavidade da paixão
tela ardente cravada na nossa pele!

Bruno Ribeiro
desejando-te algures, 27.Junho 007

sábado, janeiro 26, 2008

Perdido!

photo: o homem que quis matar o destino_heliz


Perco-me nas vozes que me divagam...
Perco-me no silêncio que me invade...
Perco-me na solidão que me assola...
Perco-me no tempo e no espaço...

‘a melodia que soa a traição
e a balada da mentira
não me saem da cabeça...

perco-me no esquecimento...
perco-me na vontade de sorrir...
perco-me nos acordes do silêncio..

que invade o meu ser
a cada instante
em cada momento...

perco-me na espuma do mar...
perco-me nas nuvens que esvoaçam...
perco-me na efémera palavra...
de me perder a mim próprio!

Perco-me na cinza das horas...
Perco-me na chuva...
Perco-me nas bolas de sabão...
Perco-me no meu próprio olhar!

Bruno Ribeiro
PMS, 11.Fev.007

domingo, janeiro 20, 2008

olhar do desejo

photo: intimate 24 _ a brito

‘são tantos os tempos que me perco no tempo
são tantas as imagens que me atravessam
mas o teu olhar… ai! o teu olhar…
faz-me perder o sentido de qualquer tempo,
faz-me imaginar perder-me no teu olhar…

‘são tantos os versos que me fazem perder
sobre os sorrisos da tua imagem que recordo
em pequenas lembranças do futuro
palavras escritas no meu olhar
de te desejar aqui ao meu lado…

‘desejar-te…

desejar beijar o teu rosto, os teus lábios,
desejar beijar o teu pescoço, os teus ombros,
desejar beijar os teus braços, as tuas mãos,

beijar o teu corpo… os teus seios…
a tua barriga… vê-la tremer… nervosa!
tocar-te ao mesmo tempo que beijo
brincar com a língua
pintar o teu corpo com a paixão
e saciar o meu apetite voraz!


‘são tantos os desejos que fico sem tempo
de não querer olhar no teus olhar…
fico sem tempo e não quero,
deixar de te olhar enquanto te possuo
e os teus olhos nos meus de prazer
insaciável os pecados da carne!

‘são tantos os tempos que me perco no tempo
são tantas as imagens que me atravessam
mas o teu olhar… ai! o teu olhar…

Bruno Ribeiro
PMS, 12, Março.007

quinta-feira, janeiro 17, 2008

danço em delírio

photo: o gesto lúdico do sonho_heliz


deliro…
vagueio no ar numa dança temporal
movimento-me por entre os acordes
como se fosse chuva…
o som no quarto, que me enche
que me faz viajar
pelas recordações, pelo presente e futuro…

deambulo…
no vazio do meu quarto
enquanto não se enche com o teu ser!
no vazio da minha rua
no meio desta multidão – solidão
pelos teus passos distantes desta calçada…

e as músicas sucedem-se…
e pinto no ar as suas letras
e esboço danças e delírios
embriagado pelo prazer de as ouvir
dançando imaginando-me a dançar contigo
um sorriso inocente no ar!

são as pedras brancas e negras dos pianos
são os traços que se rasgam do violino
que me enchem que me alegram
canto… e lá fora se alguém me ouve és tu!

delírio no vazio da solidão
danço com a minha sombra de luz apagada
enquanto não chegas…
e aí os nossos corpos pintam de prazer
o ar vazio do meu quarto
a calçada que não recebe os teus passos
a cidade sem a tua luz…
e enquanto dançamos
as nossas roupas desfazem-se
ao som destas melodias
ritmos frenéticos e harmoniosos…
o teu respirar…
sabor doce o dos teus lábios
e enquanto imagino esse toque suave
entre os nossos lábios
deliro… dança no ar…
deliro… vagueio… deambulo…
em imagens intemporais…

e quando chegares toca no meu rosto
e quando chegares olha nos meus olhos
e quando chegares afaga o meu cabelo
e quando chegares sorri…
e quando chegares beija o meu rosto
e quando chegares beija os meus lábios
e quando chegares sem aviso… ama-me!

Bruno Ribeiro
Lx. 7.Março.007

domingo, janeiro 13, 2008

Uma curta-metragem

photo: Just as long as I stay_heliz


‘deixo o rio beijar o meu corpo despido
e o vento acariciar o meu rosto...
diluindo as lágrimas que sinto;
deixo o sol secar o meu corpo
e a brisa acarinhar o rosto...
erguendo um pequeno sorriso!

Sento-me num banco de pedra
E imagino mil filmes
Espalhados pelo rio...
Pelos bancos do jardim, pelas árvores...
Que navegam no desconhecido
Imagino-me como actor principal
Em imagens de sonhos idos
Rasgados pelo desenho de um relâmpago.

Olho para a calçada...
Para crianças a brincar,
Para velhos a passear,
Para casais a namorar,
Para cães a ladrar,
Para o céu a chorar...
E sentado fico
A imaginar filmes de tempos idos...

Bruno Ribeiro
Lx,12.Fev.007

segunda-feira, janeiro 07, 2008

por fim!

photo: does he know how i speak_Heliz


será este o último acto?
enquanto aguardo pelos raios de sol
rasgantes neste velcro negro.

será esta a última página?
enquanto o teu beijo se solta
em direcção a mim, aos meus lábios.

será este o último capítulo?
enquanto luto contra uma tela branca
para poder esboçar um sorriso.

será este o último episódio?
em que o afastar do teu corpo do meu
tomará uma rota sem retorno.

será esta a última música?
do pequeno concerto que nos embala
enquanto os meus olhos perdem os teus.

será este o último suspiro?
do desejo que nutro
paixão que se apaga de mansinho.

Bruno Ribeiro
versos no espaço e no tempo