quarta-feira, janeiro 31, 2007

passeios pela minha terra!


por entre os moinhos da minha terra
passeio sentindo o vento a aclamar o teu nome
viajo por entre as pedras soltas da serra
por entre os riachos que me banham
as lágrimas secas do meu olhar!
procuro-te espelhada na água,
memórias da existência do meu ser
vasculho em mim,
pinceladas de aguarelas coloridas
pinceladas de alegria,
que me permitam sorrir e viver!

sei que tenho de seguir o meu caminho,
já guardei o meu caderno de folhas secas,
a minha pena de corvo e a tinta de nanquim,
numa mochila sem retratos de lembranças,
só a minha guitarra sem cordas!
espanto os pássaros com as minhas lágrimas silenciosas,
pois o meu coração sente a tua ausência,
quero partir,
mas sinto-me amarrado por cordas invisíveis!

Bruno Ribeiro
PMS. 26.Dezembro.006

quinta-feira, janeiro 25, 2007

cidadão do mundo


algures numa qualquer capital
grito que sou cidadão do mundo.
um grito em silêncio, grito surdo…
nessa qualquer capital,
vejo-te dançar pelas ruas
como tantas outras pessoas,
mas o teu semblante ilumina-se
a cada gesto que fazes, a cada sorriso…
e como são bonitos os teus sorrisos
mas neles sinto a tristeza do meu ser,
pelos meus lábios desejarem os teus
e os meus braços ansiosos de te abraçar…

algures num qualquer canto da cidade,
escrevo que sou cidadão do mundo,
palavras de cores transparentes…
mas o quadro do meu ser
está esbatido por um qualquer nevoeiro
e representa que apenas sobrevivo
algures no nenhures de quem sou
vivendo recordações do que fui…

Bruno Ribeiro
Lx. 10.Nov.06

terça-feira, janeiro 16, 2007

olhares


Grinaldas negras de névoa
Olhar nos teus olhos
No meu olhar tristeza
Olhos lavados de não te olhar
Olhando o vazio através dos meus olhos
Sem o olhar eterno dos teus olhos
Deambulo olhando-te sem te olhar
Das recordações dos olhos meus
Um olhar intenso o dos teus olhos
E agora o vazio no meu olhar

Bruno Ribeiro
Lx. 15.Nov.06

segunda-feira, janeiro 08, 2007

viagens pela saudade

Das folhas de papel crio barcos,
Constelação de esperanças que me levem até ti
Marinhos aventureiros que navegam ao vento
Rasgando o mar e o céu,
Terras de sonhos e desejos…

Mas um véu de seda separa-nos
Como as grades de uma prisão,
Sem portas e sem janelas!
Seda impermeável…
[senão for aberta por fora rasgada por ti]

Bebo o licor da saudade,
E navego nas efémeras folhas, sem rumo.
Por agora todos os caminhos parecem iguais!

Ainda sinto o teu corpo a dançar com o meu
Os teus beijos, calor dos teus lábios…
O delírio do teu olhar
Que me penetra na alma…

Vontade de te ver e de te ter
E abraçar… e beijar…
Mas é o vazio da solidão que me acompanha!

Bruno Ribeiro
Lx. 25.Nov.06

segunda-feira, janeiro 01, 2007

vagabundo de mim mesmo


emirjo nas dunas de areias negras,
transeunte de um ser que não conheço
os meus pés banhados nas ondas
que vão e vêm…
sombra do meu próprio ser,
de sonhos de pensamentos teus
vagabundo dos dias e das noites
derramo os meus passos por aí…
lanço o meu corpo sem saber para onde
mas para algum lado terei de ir
num luta constante
entre a razão e o coração
e do mar prateado ao luar
quando surges do horizonte vago
os meus olhos descansam nos teus
escondendo lágrimas secas
que em momentos outros
vagueavam no meu rosto.


Bruno Ribeiro
Lx. 10.Nov.06

quarta-feira, dezembro 27, 2006

vivo e sobrevivo


vivo num anoitecer dos sentidos,
sobrevivo na ausência do teu ser!


Grito palavras surdas de desespero
Porque a solidão abraça-me, envolve-me
Num emaranhado sombrio…

vivo sem o sentido de anoitecer
sobrevivo no meu ser a tua ausência!


Navego num mar dos teus olhos
Onde me perco pela ilusão
De te ter nos meus braços – vazio!

vivo o anoitecer na tua ausência
sobrevivo no meu ser sem sentido!


Bruno Ribeiro
Lx. 15.Nov.06

domingo, dezembro 24, 2006

o sentido das coisas

Se para ti faz sentido,
Para mim sentir o sentido disto
Não faz sentido,
Porque sentido sem ti não faz
E em mim o sentido não existe.

Se para ti faz sentido,
Tentar perceber um sentido qualquer
É perda de qualquer sentido
Porque sem ti eu não faço sentido.

E o sentido das coisas é efémero
E desconfio se alguma vez
Perceba o sentido disto…

Bruno Ribeiro
Lx. 10.Out.06

sexta-feira, dezembro 22, 2006

uivo ao luar

dançando entre sombras…
viajo em delírios solitários
por ruas escuras em noites sem luar,
por entre mares vagos,
por entre estrelas apagadas,
numa cama vazia!

de olhos abertos,
em horas que queria dormir,
viajo pelo passado e sorrio
e quando paro de navegar – choro
porque não sei estar sozinho!

num quadro negro
rabisco a carvão os meus sonhos
e sem me aperceber,
surge o teu rosto…

em melodias surdas
toco violino e solto o coração
som triste que bate nas minhas mãos,
e olho para o chão…
as cinzas das horas sem ti
diluo-as nas minhas lágrimas.

Bruno Ribeiro
Lx. 15.Nov.06

segunda-feira, dezembro 18, 2006

aniversário do meu ser!


são tudo ilusões...
rostos que sorriem para esconder as lágrimas...
lágrimas que caem por entre rasgos de sombra,
rostos que pouco têm para sorrir.
e em dias festins,
pouco há a celebrar
e do pouco que há a vontade é diminuta...
e há lágrimas em vez de fogo de artifício...
não passa tudo de ilusões...
e da transparência de um qualquer olhar
[talvez o meu]
brotam de olhos esverdeados o vazio
de nada ter para celebrar
neste dia que é o meu!
pois as lágrimas afogam qualquer vontade
de sorrir em qualquer momento
que o crepúsculo dos sentidos renova
num momento qualquer de solidão...

[a prenda que mais desejava não a tive]

Bruno Ribeiro
18.Dezembro.06

quinta-feira, dezembro 14, 2006

lágrimas negras


folha de papel.
onde tento escrever palavras que me consolem
da dor que sinto
e teima em me doer...
borratada por lágrimas negras
que nada falam e tudo dizem...
num desespero meu,
de gritos silenciosos...
que teimam em não se ouvir,
angústia minha, pesadelo meu,
terror que me assombra e me tortura.
lágrimas secas,
que teimam em esfarrapar os olhos como fagulhas,
de tanta dor que causam
ao brotarem dos olhos meus,
que choram sem parar,
embalados numa melodia
que com as cinzas das horas,
teimam em me amedrontar
num pesadelo constante
outrora sonho presente.
vivo sem saber viver
num mundo que já não entendo,
morro sem saber...
e choro sem te aperceberes...


Bruno Ribeiro

terça-feira, dezembro 12, 2006

mensagem ao entardecer


desculpa-me se tenho saudades…
desculpa-me se não consigo apagar o que sinto…
desculpa-me se não consigo deixar de desejar os teus beijos…
desculpa-me se choro…
mas não consigo,
não consigo deixar de te amar…

Bruno Ribeiro
Lx. 25.Out.06

ao relento


Ruas escuras…
Frio.
Passeios imundos… molhados,
Lixo espalhado pelo chão…
Dejectos humanos.
Tristeza em cada esquina,
Animais em decomposição,
Caixas de papelão.
O silêncio dos abandonados…
O som da calçada…
Chuva fria e negra…
Repuxos de lágrimas…
Um manto roto e mal cheiroso,
Sirenes distantes,
Olhares esquivos…
De transeuntes desconhecidos.

Noite longa…
Melancolia…
Nostalgia…
A ausência de afecto.
Terna solidão que ninguém deseja.
Vazio…
Sombras…
Prédios caídos, escombros…
Ossos de abandonados…
Precipícios em cada alma,
Corações guardado no esquecimento,
Roupas esfarrapadas…

O meu corpo dorido,
Cansado…
Noites, atrás de noites sem dormir,
Olhos exaustos,
Lágrimas, atrás de lágrimas…
Coração despedaçado…
Alma evaporada…
Espírito sem confiança…


Vazio em cada olhar,
Esperanças ausentes…
Pesadelos com os olhos fechados,
Pesadelos com os olhos abertos…
O frio da solidão…

Bruno Ribeiro
Lx. 2.Nov.06

terça-feira, dezembro 05, 2006

pesadelos


Nos teus braços… perco-me,
Os meus lábios procuram os teus
Num impulso automático,
Os nossos olhos penetram-se….
Os nossos corpos lado a lado
Ocupam o espaço que nos separam
Nesta noite tão fria…
As estrelas reflectem felicidade…

‘os mares revoltam-se…

… e acordo…
Rebolando entre os lençóis
Desta cama vazia…
O frio da solidão atravessa-me a espinha
E sinto o rosto lavado de sal…

Bruno Ribeiro
Porto de Mós, 4.Nov.06

terça-feira, novembro 28, 2006

Vertigem


Trepo o ar.
O vento beija-me a cara… acaricia-me,
O sol aprecia…
Pessoas incrédulas oferecem o olhar
À procura das respostas incompreendidas…

Folhas de Outono deixam-se cair,
Passam ao meu lado incógnitas…
Finalmente os degraus em caracol param!
Sustenho a respiração… hesito…
Procuro o horizonte, procuro respostas…
Abraço-me às grades que protegem os transeuntes,
Interrogo-me…
Suspiro… respiro fundo…

Por que olhar para o que não quero
Causa-me turbilhões mentais,
Tudo gira sem rumo,
Roleta russa!
Uma bala perdida…
Não quero pensar…
Não quero sentir…
Não quero olhar…

O vento agora sopra… mais intenso,
Agonia… incerteza…

As pernas tremem,
Recuso a mexer-me
Mas também não posso ficar parado,
Dou um sinal de coragem,
Um passo em frente,
Tudo se move, tudo gira…
Tudo se perde…

Uma pétala caída,
De uma rosa negra, lágrima minha.

Mecanicamente deixo-me embalar,
Sons metálicos ecoam,
Mil pensamentos varrem o meu ser,
Enquanto me perco a olhar o vazio,
Penso…
Lembro-me…
Olho para o chão… Choro…

Passado um minuto chego à terra!
Suspiro uma vez mais,
Pareceu uma eternidade,
Quero-me levantar, não consigo…
Uma porta abre-se – rua.
Lembro-me uma vez mais – saudade.

Faço o percurso da calçada até ao rio,
Abraço-o…
Embalo a única certeza que tinha,
Numa garrafa de vinho… vazia!

Içada a vela,
Levantada a âncora,
Parte… sem destino!

Fico a olhar…
Saudade,
O fado das gaivotas…
A garrafa perde-se no horizonte
Mas finjo ainda vê-la,
Deixo-me estar…
É noite… O sol amanhece…
Está alto… adormece…
Deixo-me estar.

Amanhece uma vez mais… ainda a vejo!

Bruno Ribeiro
Lx. 29.Out.06

quinta-feira, novembro 23, 2006

numa esplanada junto ao rio

Numa esplanada junto ao rio,
Noite…
O cheiro a café
da chávena que me faz companhia.

Mesa, cadeiras vazias,
Um deserto árido,
Uma árvore seca,
Corpo ausente… o teu!

Olhares que se perdem
No vazio inconsciente das noites
Em que a tua ausência
Se torna como um peixe fora d’água.

Um arrepio na espinha – frio?
Calor do gelo que me invade
Desde que a partida foi solução…
Procuro na estrada o teu rasto… em vão!

Numa esplanada junto ao tio,
Desenho a saudade,
Escrevo sons das lágrimas derramadas
Em tons de violino!

Pestanejo a luz dos candeeiros
De chama tremulente
Como as ondas do mar…
Pergunto porque partiste…

Rabisco no ar versos que me levem até ti,
Linho azul que sempre corre,
Cascata de mártires,
Crus dos condenados…

Numa esplanada junto ao rio
Parto para nenhures,
O caminho para o nada,
Perdido no tempo…

Bruno Ribeiro
Lx. 29.Out.06

segunda-feira, novembro 20, 2006

il caffè di roma

imagino como estará o mar...
num ir e vir de pensamentos,
distante, presente, emotivo.

imagino como estará o céu...
no ir e vir das nuvens
que acompanham as ondas,
ausentes, incógnitas...

imagino como estarão as estrelas e os barcos...
os grãos de areia e as pegadas na praia...

imagino tudo de olhos abertos
sonho com tudo de olhos fechados
grito, não faz eco...
não sai som...

pergunto-me se algum dia
o mar levará as lágrimas que chorei...
se voltarei a sentir o calor no rosto,
alegria na alma, descanso no coração....
será que a música me responde?



Bruno Ribeiro
Lx. algures no tempo

sábado, novembro 18, 2006

agonia

Saber o que sinto e ter de esconder, trancado a sete chaves prestes a explodir, mas não posso revelar. Mostrar-me forte quando por dentro é um aperto… parece uma corda à volta da garganta, um colete-de-forças a sufocar o corpo, tão grande que é este sentimento!
Já passou por tempestades, cataclismos, ventos fortes, chuvas tropicais mas foi e é sempre constante e infinito como o céu, tão presente… tão activo… e quando me desorientava descobria sempre o caminho de regresso como as estrelas que à noite orientam os marinheiros!

Junto dos outros tento sorrir, quando por dentro tudo desaba… e quando me vejo apenas na companhia da solidão e da minha sombra, dos olhos jorram lágrimas que parecem pedaços de vidro a brotar dos meus olhos, rasgando a carne enquanto deslizam pelo meu rosto.

Tento parecer que estou bem, quando na verdade não estou e tento não pensar no que o coração sente para não me magoar mais ainda.
Como o mar pode dar vida e tirar… como pode abrir o livro da felicidade para depois o fechar…

Tento refugiar-me assim na escrita de versos, mas a onda da poesia não vem, pois as palavras são efémeras para o que tento guardar dentro de mim, bem escondido como um tesouro de piratas, só espero que os meus olhos não me traiam.

Bruno Ribeiro
Lx. 25.Out.06

sexta-feira, novembro 17, 2006

Chiado Confidente


Procurei os versos das ruas e a poesia do bairro nas palavras deixadas e escondidas nas suas texturas, procurei um dos capítulos de Lisboa, escutei os seus sons, inalei os cheiros, olhei para o seu rosto, tacteei o Chiado…

Procurava respostas de perguntas incompreendidas, senti o sol a atravessar o meu corpo, falei com as sombras, vivi-o… enquanto passeava pelas calçadas gastas de vultos desconhecidos, anónimos que ali vagueavam e assim me tornei noutro deambulante que dançava nas suas vestes de texturas diferentes, enquanto deixava mensagens silenciosas, perdidas num lugar de poetas… lágrimas que desciam pelos carris dos eléctricos e jaziam no rio.

Deixei que as horas passassem por mim enquanto trocava segredos com esta zona nostálgica, procurava poesia que noutras épocas juntavam as pessoas em tertúlias nos cafés que me mostrassem o caminho que fizesse escrever as lágrimas que dos meus olhos teimam em não cair…

O sorriso das pessoas, alegria… aquele tão belo sentimento que perdi, que me abandonou… Por vezes esquecia-me do passado e noutros era incapaz de não me lembrar do teu rosto – simplesmente aparecias, naqueles momentos magníficos que o Chiado oferece a qualquer instante imprevisível e que gostaria de ter partilhado e que agora vivo passeando de mão dada com a solidão.

Bruno Ribeiro
Lx. 28.Out.06

quarta-feira, novembro 15, 2006

rabiscos


Rascunho perto do rio Tagus
Palavras inocentes de sentimentos.

Entre amigos,
Disparates e sorrisos
Levam-me a entrar num delírio
De alegrias momentâneas…

Não te esqueci… não consigo!

Penetro por ruelas estreitas
Belas desconhecidas…
Umas degradantes,
Outras que nos levam para outros tempos…

Perdido,
Não nas ruas…
Mas sim nos pensamentos
De distâncias intransponíveis…

Em cada esquina – uma cusquice,
Em cada largo – uma festa,
Em cada esplanada – um lugar vazio!

Corro para apanhar o eléctrico
Quando queria era correr para ti,
Mas a tua mão afasta-me
Em vez de me abraçar…

Rabisco uma lágrima no ar, caída…

Uma pétala,
Folha de Outono,
Também ela a morrer…
Suspiro por fim, o último!
Olho para todo o lado,
Procurando qualquer sinal teu
Apesar de saber que nada acontece…

Percorre…
Em pensamentos meus
O passado nosso!

Perco as forças
Que já não tenho – vou ao chão.
Estendo o meu corpo
Num movimento rápido…
Jazo nas pedras da calçada a chorar…

Bruno Ribeiro
Lx. 1.Nov.06

segunda-feira, novembro 06, 2006

uma viagem qualquer


Ouvindo uma música tremulente
Numa viagem qualquer…
Encosto o rosto ao vidro
Olhando para o vazio do céu…
De textura de algodão cinza…
Também ele chora!
Mas desconheço as suas razões…

Deixo-me estar!

Árvores de variadas cores marcam o percurso
De tonalidade castanho-avermelhada
Outras reflectem o esverdeado dos meus olhos…
Pousadas no tempo
Agarradas à vida!

Rios correm sem parar…
Aguarelas das minhas lágrimas.

Mais uma viagem qualquer
Sem ti como companhia
Sem tu como destino.

Bruno Ribeiro
Lx-Lr. 6.Nov.06