
depois de um banho como tantos outros
visto o meu traje que me esconde
da insegurança de um qualquer andar
por entre os olhares desconhecidos,
ergo o meu olhar confiante
e borrifo o corpo com sedução
despenteio o cabelo…
óculos escuros e saio para a rua…
vagueio até um qualquer lugar atrasado
e vejo-te luminescente como uma estrela
e miro-te… e olho-te… e sorrio…
baixo os óculos, arrumo-os
e seduzo-te com o olhar…
sorris para mim, suspiro silencioso…
e partimos para a dança da sedução
inconscientes,
como o sol que nos abraça…
e num outro qualquer lugar
longe dos olhares indiscretos
longe das vozes desconhecidas
perdemo-nos em bebidas e conversas
em toques suaves como a brisa
que nos ergue na paixão!
e banhamo-nos na espuma das ondas
pequenos passos sem rasto…
sentados numa esplanada ao luar!
partilhamos olhares discretos
que nos perscrutam a alma!
trocamos palavras silenciosas
de desejos escondidas inconscientes
e derretemo-nos…
quando a lua por fim se deita
cansada pela música da noite…
e damos a mão em silêncio…
mão essa que nos faz abraçar…
abraço esse que nos faz beijar…
beijo esse que nos faz desejar…
desejo esse que nos faz despir…
num ritmo pausado e apreciado!
e pinto o teu corpo em silêncio
com as mãos e com os dedos
que revelam a sombra dos teus suspiros
que fazem aumentar os meus desejos…
e o silêncio de um beijo
um tango entre as línguas…
e a tua mão que empurra a minha
a revelar o corpo que me deseja!
e no relevo da tua pele
desenho a fragrância do meu perfume
e diluo com a língua
aguarela da paixão que nos assola!
e enquanto te possuo com a língua
e as pontas dos dedos
gemes de prazer, balada da atracção
e os primeiros raios de sol
revelam no chão a pintura dos nossos corpos
as cinzas das horas da paixão
e dois corpos nus que se abraçam
Bruno Ribeiro
Lx. 21.Março.007